domingo, 1 de março de 2015

Questões Modernismo


  1. Cite três características da 2ª Geração Modernista, conceituando-as.






  1. (UEMA – MA) A poesia modernista revela:
    1. Ritmo psicológico
    2. Cotidianismo,
    3. Sintaxe e pontuação revolucionárias.
    4. Estão corretas as alternativas a e c
    5. Estão corretas as alternativas a, b e c.

  1. Escreva sobre a situação histórica da época de 30, fazendo associações.






  1. Demonstre as semelhanças entre a poesia de Carlos Drummond, Cecília Meireles e Murilo Mendes.







  1. As relações negativas do público à Semana de Arte Moderna refletem
  1. A fixação do espírito brasileiro no propósito de menosprezo das criações nacionalistas.
  2. A possibilidade do futuro fracasso do Modernismo como movimento estético literário.
  3. A aversão dos autores em se comunicar com o público presente no Teatro Municipal de São Paulo.
  4. A preferência pelas manifestações artísticas já cristalizadas nas linhas do academicismo.
  5. O pouco amadurecimento dos autores para propostas de vanguarda.


Prova de Língua Portuguesa.



  1. O estilo conciso, a linguagem sóbria, a técnica da interiorização e a análise psicológica caracterizam-no, principalmente em sua obra "Angústia".
Trata-se de:
a) Jorge Amado.
b) Érico Veríssimo.
c) Graciliano Ramos.
d) José Lins do Rego.
e) Clarice Lispector.

Considere as seguintes afirmações sobre O TEMPO E O VENTO, de Érico Veríssimo.

I - Personagens como Pedro Missioneiro e Capitão Rodrigo Cambará estão envolvidos em episódios inseridos, respectivamente, na Guerra Guaranítica e na Revolução Farroupilha, eventos históricos da formação do RS.
II - O narrador em terceira pessoa identifica-se com Floriano Cambará, intelectual de esquerda que se propõe a relatar a história de sua família lançando mão do humor e de experimentalismos modernistas.
III - Rodrigo Terra Cambará, corajoso e mulherengo como seu antepassado, percorre uma carreira política que o leva ao secretariado do governo estadual e depois à chefia de um ministério.

  1. Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas I e III.
e) I, II e III.

Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio da adolescência que teve influência significativa em sua carreira de escritor.

"Lembro-me de que certa noite - eu teria uns quatorze anos, quando muito - encarregaram-me de segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações, enquanto um médico fazia os primeiros curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam "carneado". (...) Apesar do horror e da náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando assim: se esse caboclo pode agüentar tudo isso sem gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? (...)
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia de que o menos que o escritor pode fazer, numa época de atrocidades e injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não desertamos nosso posto."
(VERÍSSIMO, Érico. "Solo de Clarineta". Tomo I. Porto Alegre: Editora Globo, 1978.)

  1. Neste texto, por meio da metáfora da lâmpada que ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma das funções do escritor e, por extensão, da literatura,
a) criar a fantasia.
b) permitir o sonho.
c) denunciar o real.
d) criar o belo.
e) fugir da náusea.

  1. Assinale a afirmação correta sobre o Romance de 30.
a) Predominou, entre os autores, uma preocupação de renovação estética seguindo os padrões da vanguarda literária europeia.
b) Na obra de José Lins do Rego, predomina a narrativa curta na recriação do modo de vida dos senhores de engenho.
c) Os autores, em suas obras, tematizaram os problemas sociais com o intuito de denunciar as agruras das populações menos favorecidas.
d) O caráter regionalista dos romances deste período deve-se à reprodução fiel do linguajar típico de cada região.
e) A obra de Jorge Amado pode ser considerada uma exceção, no conjunto da época, porque seus romances apresentam uma grande inovação na estrutura narrativa.


:"Irmão ... é uma palavra boa e amiga. Se acostumaram a chamá-la de irmã. Ela também os trata de mano, de irmão. Para os menores é como uma mãezinha. Cuida deles. Para os mais velhos é como uma irmã que brinca inocentemente com eles e com eles passa os perigos da vida aventurosa que levam.
Mas nenhum sabe que para Pedro Bala, ela é a noiva. Nem mesmo o Professor sabe. E dentro do seu coração Professor também a chama de noiva."
(Jorge Amado: "Capitães da Areia").

  1. Considerando a obra e o autor do texto, assinale a alternativa INCORRETA.
a) O autor faz parte do romance regional de 30, quando se aprofundaram as radicalizações políticas na realidade brasileira.
b) Jorge Amado representa a Bahia, "descobrindo" mazelas, violências e identificando grupos marginalizados e revolucionários em "Capitães da Areia".
c) Dora, Pedro Bala e Professor são alguns dos personagens da narrativa, que aborda a dramática vida dos camponeses das fazendas de cacau no sul da Bahia.
d) O tom da narrativa aproxima-se do Naturalismo, alternando trechos de lirismo e crueza. O nível de linguagem é coloquial e popular.
e) "Capitães da Areia " pertence à primeira fase da produção de Jorge Amado, quando era notório seu engajamento com a política de esquerda. Daí o esquematismo psicológico: o mundo dividido em heróis (o povo) e bandidos (a burguesia).


  1. Acerca do Romance de 30, analise as proposições adiante.
( ) O ciclo do Romance Regional de 30 é um dos principais da prosa dessa geração. É o regionalismo nordestino, abordando a decadência da região, tendo como tema único o êxodo rural provocado pela seca.
( ) Graciliano Ramos, alagoano, iniciou-se na literatura com "Caetés". Tem como obras principais "Vidas Secas", "São Bernardo" e "Angústia", nas quais analisa a realidade da vida rural do nordeste, com aspereza, linguagem rigorosa, precisa e despojada, sem nenhuma concessão sentimental.
( ) José Lins do Rego, paraibano, aborda, em seus livros do Ciclo da Cana-de-Açúcar, o esplendor e a decadência dos engenhos do Nordeste e do patriarcalismo rural. Em suas obras, mistura biografia com ficção. Nelas predomina a linguagem espontânea e repetitiva.
( ) Rachel de Queiroz, cearense, escreveu como livro de estréia, "O Quinze". Sua narrativa sintoniza-se com o regionalismo da geração de 30, em que se pode notar a pré-consciência do subdesenvolvimento. Nesta fase de sua obra, destaca-se, ainda, "Caminho de Pedra". Mais tarde, a escritora abandonou os temas de denúncia social.
( ) Jorge Amado, baiano, em um realismo precário, mas pitoresco, descreve, em "Jubiabá", as agruras da seca do sertão baiano.


  1. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

    a) metáfora
    b) hipérbole
    c) hipérbato
    d) anáfora
    e) antítese


DE SÓCRATES FlLÓSOFO

Caminhando Sócrates, um atrevido se descomediu com ele, e lhe deu um coice. Estranhando alguns a paciência do filósofo, disse:
- Pois eu que lhe hei de fazer depois de dado?
Responderam:
- Demandá-lo em juízo pela injúria.
Replicou:
- Se ele em dar coices confessa ser jumento, quereis que leve um jumento a juízo?

BERNARDES, Padre Manuel. Nova Floresta ("Injúrias", tomo V, cap. XXXI, p. 382). in: OBRAS COMPLETAS DO PADRE MANUEL BERNARDES (reprod. fac-similiada da ed. de 1728). São Paulo: Ed. Anchieta, 1946.

Nesta fábula do Padre Manuel Bernardes (1644-1710), o grande moralista barroco se serve do filósofo Sócrates para ensinar que, quase sempre, os danos de uma injúria recaem em quem a comete e não em quem a sofre. Com base neste comentário, examine atentamente o texto e responda:


  1. Qual a diferença entre o pensamento de Sócrates e o raciocínio de seus acompanhantes quanto ao "coice" recebido





  1. (Uepb 2013)

A charge de Lila pode ser compreendida como um discurso dialógico que:
a) Representa uma perspectiva equivocada sabre a manutenção da reserva florestal no Brasil.
b) Simplifica a temática ambiental sobre a polêmica do novo código florestal.
c) Critica a atitude humana em relação à preservação florestal do território brasileiro.
d) Humoriza o tema do novo código florestal em relação à exploração da vegetação no mundo inteiro.
e) Defende, por meio da linguagem não verbal, as garantias do direito à propriedade rural.
  1. (Insper 2013) Os quadros abaixo fazem parte de um “Manifesto” criado por uma revista feminina:


Em comum, eles apresentam
a) o emprego da linguagem formal.
b) a valorização de uma aparência natural, despojada.
c) a desconstrução de clichês divulgados na mídia.
d) a desconstrução da imagem de esposa perfeita.
e) a desmistificação da família perfeita.

Questões Romantismo






Texto crítico
"Embora seja importante indagar das razões por que público brasileiro dos anos de 1870 avidamente leu e com entusiasmo aplaudiu "A Escrava Isaura", razões que encontram o principal motivo em onda então crescente de sentimento abolicionista – convenhamos em que muito mais importante o comportamento desse público é, para a crítica, a natureza desse romance.
Mesmo lido com simpatia, "A Escrava Isaura" não resiste à crítica. Seu enredo resulta em ser inverossímel, tais e tantos são os expedientes primários do Autor, usados para conduzir por determinados caminhos e para desenlace preestabelecido: em freqüentes ex-abruptos, mudam os sentimentos dos protagonistas com relação à bela e desditosa Isaura, e assim de protetores se transformam de pronto em pérfidos algozes, servindo à linha dramática premeditada pelo ficcionistas; não menos precipitada e artificialmente se engendram e desenrolam as situações ou episódios concebidos sempre com a intenção de marcar "passus" da vida "crucis" da desgraçada heroína, que, por fim, mais arrastada pelo autor que pelas forças do drama que vive, encontra no alto do seu calvário, ao invés do sacrifício final (o que teria dado ao romance verossimilhança e força), a salvação e a felicidade de extrema.
Tão primário e artificial quanto enredo que domina a obra, dando-lhe típica estrutura novelesca ou romanesca, é, não digo a concepção, mas o modo de conduzir personagens: Isaura, Malvina, Rosa, Leôncio, Álvaro, Belchior, André, o Dr. Geraldo, Martim e Miguel, se têm peculiaridades físicas e morais que os caracterizam suficientemente e os individualizam na galeria das personagens da ficção romântica, se ocupam posições bem "marcadas" no palco dos acontecimentos, decomposto em dois cenários (uma fazenda de café da Baixada Fluminense e o Recife), não chegam contudo, a receber suficiente estofo psicológico: daí a impressão que deixam, não apenas de símbolos dramáticos quase vazios, senão que também títeres (vá lá a cansada imagem) conduzidos pelo autor, para esta ou aquela ação indispensável, a seu ver, às suas principais intenções".
(Antônio Soares Amora, "O Romantismo", vol. II da A Literatura Brasileira).
  1. (PUCCAMP) Segundo o texto:
    1. "A Escrava Isaura" consagrou-se como um bom romance por causa da aceitação que teve entre o público leitor de 1870.
    2. "A Escrava Isaura" não é um bom romance porque o público leitor de 1870 o leu avidamente e o aplaudiu com entusiasmo.
    3. leitor deve ter muito cuidado ao ler ou aplaudir um romance, pois poderá consagrar uma obra medíocre.
    4. "A Escrava Isaura" não é um bom romance para a crítica, embora o público o haja lido com entusiasmo, movido pelo sentimento abolicionista.
    5. "A Escrava Isaura" não pode ser considerado um bom romance por causa do sentimento abolicionista.
  2. Discorra sobre as principais tendências cientificistas do final do século XIX e como essas tendências afetaram o Realismo e o Naturalismo (em separado)



  1. Para o Romantismo, o índio era o verdadeiro brasileiro. De que estilo de época foi retirada essa crença e quais eram as características desse estilo.





  1. (PUC-RS) A estrofe demonstra que a mulher aparece freqüentemente na poesia de Álvares de Azevedo como figura:

“Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embaladas!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!”
a) sensual
b) concreta
c) próxima
d) natural
e) inacessível
QUESTÃO: Observe os fatos importantes da época do Romantismo:
    • Decadência do Absolutismo;
    • Guerras napoleônicas;
    • O término do ciclo da grande navegações;
    • O capitalismo mercantilista se desenvolve contribuindo para o aumentar a influência da burguesia;
    • A Reforma protestante, movimento religioso, que foi liderada por Lutero e Calvino;
    • A Contra-Reforma em reação à Reforma marcando também a cisão da Igreja Católica.
    • Werther, do escritor alemão Johann Wolfgang Goethe, destaca-se como obra romântica que chegou alcançar dimensões mundiais. Neste livro, o sentimentalismo exagerado de mãos dadas com o amor impossível caminham tragicamente para o suicído do jovem Werther. O romance desencadeou uma onda de suicídios entre os jovens, influenciou a arte (principalmente a pintura e escultura) e a moda da época.
    • Na Inglaterra, destacam-se os poetas Lord Byron, Walter Scott, Shelley, Wordsworth, Coleridge e Samuel Taylor.
  1. Associe esses fatos e qual influência eles podem ter tido sobre o Romantismo.

Questões simples Classicismo e Barroco


  1.  

    1. “O Barroco é o resultado da Contra Reforma”. Explique tal afirmação.


    1. Cite 10 grandes nomes do Renascimento.


    1. A mentalidade humanista do Renascimento era absolutamente diferente da mentalidade da idade média. Qual foi o resultado dessa tensão?


    1. Max Gehringer, no programa Fantástico de 19/08/2007, disse que Network (rede de relacionamentos) existe desde a carta de caminha. Por quê?


    1. Responda as seguintes questões sobre os Lusíadas: quem foi o autor? Quantas partes possui? Quantos cantos? O que é a questão do maravilhoso pagão?


    1. Observe a tabela abaixo entre classicismo e maneirismo e desenvolva um texto demonstrando essas diferenças.
    Classicismo
    Maneirismo
    Imitação dos modelos da Antigüidade clássica greco-romana (retomada da mitologia pagã e pela perfeição estética, marcada pela pureza de formas); o homem do séc. XVI acreditava que os antigos gregos e romanos eram detentores dos ideais de Beleza. Platão, Homero, Virgílio e outros mestres da Antigüidade servem de modelo, pois seus valores são eternos e absolutos.
    Oposição à herança medieval representada pela redondilha, introduzida a medida nova (versos decassílabos) já cultivada por italianos Dante e Petrarca. Temas poéticos: reflexão moral, a filosofia e a política, além do lirismo amoroso.
    desintegração do relativo equilíbrio clássico do Renascimento, pela ruptura da noção de harmonia entre a natureza e a razão e pela perda da própria concepção humanista de um mundo antropocêntrico. Efeitos de surpresa, gosto do bizarro, predileção pela ambiguidade, anti-naturalismo, busca da beleza ideal, abandono da clareza renascentista, mistura do profano e do sagrado, complexidade decorativa,etc.












    O Barroco pode ser sintetizado como:
    1. Dualidade, conflito, angústia e desejo
    2. Conceptismo, teocentrismo e amor
    3. Conflito, angústia e liberdade de sentimento
    4. Idealização, liberdade e desejo
    5. Liberdade de sentimento, dualidade e conceptismo.

  1. Na lírica de Camões:
    1. O Cantar a pátria é o centro das preocupações
    2. Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos
    3. O metro usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior
    4. A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade
    5. Encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.

  1. O que a estética do Barroco buscou?
    1. Quebrar a rigidez dos padrões Greco-romanos
    2. Extrair dos instrumentos das variadas combinações rítmicas, melódicas e harmônicas
    3. Expressividade nas esculturas
    4. Extrair portas, colunas, escadas, tetos.

  1. O termo barroco denominou manifestações artísticas dos anos 1600 e no início dos ano 1700. Além da literatura, estende-se à musica, pintura, escultura e arquitetura da época. Entre as vozes do Barroco brasileiro figuram:
    1. Cláudio Manuel da Costa
    2. Gregório de Matos
    3. Padre José de Anchieta
    4. Tomás Antônio Gonzaga
    5. Padre Antônio Vieira.

  1. A poesia lírica de camões é marcada por certa dualidade. Marque a opção correta:
    1. São textos claramente inspirados nas obras de Homero.
    2. As vezes são textos claramente inspirados na poesia tradicional, em medida velha (redondilhas maiores e menores)
    3. Traduzindo em versos histórias de povos e suas conquistas
    4. É o corpo do poema de narração geral

  1. A qual classificação pertence: aliteração, onomatopéia e assonância?
    1. Figuras de palavras ou tropos
    2. Figuras de sintaxe
    3. Figuras de pensamento
    4. Figuras sonoras
    5. Figuras gramaticais

  1. Os autores barrocos passaram a expressar em suas obras o sentimento de desequilíbrio e por isso fizeram uso principalmente de dois estilos
    1. Cultismo, Gongorismo
    2. Conceptismo, Quevedismo
    3. Cultismo, Conceptismo
    4. Gongorismo, Quevedismo


  1. Marque com V ou F para cada alternativa que está ou não associada com o Maneirismo
( )Distorção
( )Antropocentrismo
( )Tradição Dionisíaca
( )Inspiração Greco Romana
( )Contra Reforma Católica
    1. F,V,F,V,F,
    2. V,F,V,F,F
    3. V,V,V,F,F
    4. F,V,V,F,V
    5. F,F,V,F,V
  1. Maneirismo é um estilo de transição entre:
  1. Romantismo e Classicismo
  2. Barroco e Arcadismo
  3. Classicismo e Barroco
  4. Romantismo e Arcadismo
  5. Humanismo e Romantismo
  1. Alguns autores se destacaram no Classicismo Português como:
  1. Sá de Miranda, Camões e Miguel de Cervantes
  2. Sá de Miranda e William Shakespeare
  3. Sá de Miranda, Inês Castro e Dom Pedro I
  4. Sá de Miranda, Antônio Ferreira, Bernardinho Boteiro e Luiz Vaz de Camões
  5. Sá de Miranda, Cervantes e Camões
  1. Características do Classicismo:
  1. Razão, materialismo
  2. Fantasia e emoção
  3. Absolutismo monárquico
  1. Quais dentre as características abaixo pertencem ao maneirismo?
  1. Visão, classicismo e equilíbrio
  2. Razão, teocentrismo e antropocentrismo
  3. Desequilíbrio, teocentrismo e razão
  4. Distorção, desequilíbrio e fantasia
  5. Descrição, fantasia e antropocentrismo



    Prova de Língua Portuguesa.

    1. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

      a) metáfora
      b) hipérbole
      c) hipérbato
      d) anáfora
      e) antítese

    1. Qual a diferença entre Classicismo e Barroco?







    1. Relacione este trecho ao seu respectivo estilo, de acordo com as informações contidas nas alternativas a seguir:

      "Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
      Te lembra hoje Deus por sua igreja;
      De pó te fez espelho, em que se veja 
      A vil matéria, de que quis formar-te."

      a) BARROCO: O homem barroco é angustiado, vive entre religiosidade e paganismo, espírito e matéria, perdão e pecado. As obras refletem tal dualismo, permeado pela instabilidade das coisas.
      b) ARCADISMO: Em oposição ao Barroco, esse estilo procura atingir o ideal de simplicidade. Os árcades buscam na natureza o ideal de uma vida simples, bucólica, pastoril.
      c) ROMANTISMO: A arte romântica valoriza o folclórico, o nacional, que se manifesta pela exaltação da natureza pátria, pelo retorno ao passado histórico e pela criação do herói nacional.
      d) PARNASIANISMO: A poesia é descritiva, com exatidão e economia de imagens e metáforas.
      e) MODERNISMO: Original e polêmico, o nacionalismo nele se manifesta pela busca de uma língua brasileira e informal, pelas paródias e pela valorização do índio verdadeiramente brasileiro.

    1. Identifique a alternativa que não contenha ideais clássicos de arte:

      a) Universalismo e racionalismo.
      b) Formalismo e perfeccionismo.
      c) Obediência às regras e modelos e contenção do lirismo.
      d) Valorização do homem (do aventureiro, do soldado, do sábio e do amante) e verossimilhança (imitação da verdade e da natureza).
      e) Liberdade de criação e predomínio dos impulsos pessoais.

    1. No colégio dos padres, Gregório de Matos escreveu: 
      "Quando desembarcaste da fragata, meu dom Braço de Prata, cuidei, que a esta cidade tonta, e fátua*, mandava a Inquisição alguma estátua, vendo tão espremida salvajola* visão de palha sobre um mariola*".
      Sorriu, e entregou o escrito a Gonçalo Ravasco. 
      Gonçalo leu-o, gracejou, entregou-o ao vereador.
      O papel passou de mão em mão.
      "A difamação é o teu deus", disseram, sorrindo.
      (Ana Miranda, "Boca do Inferno")
      (*fátua: tola;*salvajola: variante de "selvagem"; *mariola: velhaco)

      O trecho ilustra
      a) a poesia erótica de Gregório de Matos, inspirada na vida nos prostíbulos da cidade da Bahia e que deu origem à alcunha do poeta, "Boca do Inferno".
      b) a poesia lírica de Gregório de Matos, voltada para a temática filosófica, em linguagem marcada pelos recursos da estética barroca.
      c) a poesia satírica de Gregório de Matos, dedicada à descrição fiel da sociedade da época, utilizando recursos expressivos característicos do barroco português.
      d) a poesia erótica de Gregório de Matos, caracterizada pela crítica aos comportamentos e às autoridades baianas da época colonial.
      e) a poesia satírica de Gregório de Matos, que representa, no conjunto de sua obra, uma fuga aos moldes barrocos e ataca, no linguajar baiano da época, costumes e personalidades.
    2. Escreva um resumo sobre o Barroco Brasileiro.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O que aconteceu quando topei o desafio de ficar uma semana sem procrastinar

 Kibado de http://www.hypeness.com.br/2015/02/o-que-aconteceu-quando-topei-o-desafio-de-ficar-uma-semana-sem-procrastinar/#


Fechei a aba do Facebook, o email, deixei o celular no silencioso (com a tela virada para a mesa), coloquei o fone de ouvido e expulsei o gato da sala, para que ele vá ronronar longe de mim. O foco é a tela em que escrevo este texto, mas apesar das distrações externas estarem sob controle, a minha mente vagueia em sobre como seria gostoso deitar no sofá e assistir Hora da Aventura. Ou sobre como eu preciso ir ao mercado comprar açúcar, macarrão, água e detergente. E então, por um segundo, o olhar desvia da tela e eu observo alguns postais que tenho colados na parede. Vejo uma xícara na imagem de um quadro do Dalí e me dá vontade de tomar café. Um chocolate para acompanhar não seria mal. Mas o que mesmo que eu estava fazendo? Ah, procrastinando.

Se o primeiro passo é sempre a negação, afirmo: não sou procrastinadora, sou distraída. Quando leio uma notícia qualquer na internet, já clico em links, abro a propaganda, pesquiso no Google um tópico do qual lembrei, entro no Twitter para comentar sobre, perco-me na timeline, já estou em outro assunto e, quando vejo, uma hora foi pelo ralo. Enquanto isso, há trabalho a ser feito, casa a ser arrumada e compromissos mil. Não procrastino porque quero. É algo que acontece e sobre o qual eu não tenho controle. Mas acho que a Jaque Barbosa, diretora de conteúdo do Hypeness, sacou que havia algo errado em eu enviar posts às 3 da manhã para aprovação e resolveu me dar um toque sutil: o desafio é passar uma semana sem procrastinar.
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CHALLENGE ACCEPTED! Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
Meu trabalho está longe de ser do tipo detestável, em que o sujeito já começa a reclamar no domingo à tarde e só para na sexta. Eu adoro trabalhar como redatora e não me imagino fazendo outra coisa, mas nem isso me impede de colocar outras tarefas à frente dos textos que precisam ser escritos. A fonte da minha procrastinação está em saber que há o Netflix inteiro por assistir, a timeline infinita do Facebook por ler e um gato fofinho que adora carinho na barriga para amassar. Trabalho em casa e eu tenho o dia inteiro para entregar meus textos. Sendo assim, a lógica obviamente é: daqui a pouco eu faço. O problema é que o daqui a pouco é onze da noite e, quando o relógio bate, preciso correr para escrever e entregar tudo.

Criativos e procrastinadores

Para quem trabalha em home office e, principalmente, com jobs que exigem criatividade, a disciplina é um pote de ouro e eu sou uma das que precisa encontrá-lo – se não o pote, pelo menos o caminho que me leva até ele.
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“DO YOUR WORK. DON’T BE STUPID” (Faça seu trabalho, não seja bobo, em português) Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
O trabalho feito por redatores, diretores de arte, fotógrafos e todo profissional criativo costuma ser um prato cheio para a procrastinação. Isso acontece porque criar algo exige o uso da imaginação e, nesse momento, o monstro do prazer instantâneo pode tirar você do foco. “Toda jornada criativa começa com um problema. Ela começa com um sentimento de frustração, a dor de não conseguir encontrar uma resposta. Nós trabalhamos duro, mas chegamos a um muro. Nós não temos ideia do que fazer em seguida”, afirma Johan Lehrer no livro Imagine: How Creativity Works1. Isso significa que, mesmo que você trabalhe duro em um job, um momento de frustração pode fazer com que você se renda aos prazeres instantâneos da procrastinação. E aí? Qual é a solução?

Observando hábitos

A procrastinação, resultado de uma péssima disciplina, é algo que está enraizada em hábitos. Então, a primeira coisa que fiz neste desafio foi me esforçar a observar o que eu fazia, quando eu fazia e tentar entender o porquê eu fazia. Na rotina, a gente costuma se deixar levar no modo automático e fazer as coisas sem pensar. Estar atenta aos meus movimentos e vontades, por si só, já foi difícil, mas foi essencial para entender o problema e reconhecer que o meu tempo poderia ser melhor empregado. Seguem algumas percepções que tive sobre a minha produtividade e hábitos:
  1. O Facebook é uma máquina mortal de procrastinação. Aquele feed infinito maravilhoso, aquelas pessoas falando bobagens nos comentários e você, num masoquismo inexplicável, lendo tudo até o final, os memes engraçadinhos, as tretas, os amigos convidando para uma cerveja no fim do dia. Ah, o Facebook… e lá se foram 50 minutos.
  2. Multitasking: eu jurava que era capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Então descobri que, na verdade, eu sou capaz de fazer duas coisas mal feitas ao mesmo tempo.
  3. Cuidar da casa é uma terapia. Todos nós sabemos que lavar louça é a solução contra comentários desnecessários e tretas nas redes sociais. Contudo, descobri também que esta é uma excelente forma de pensar um texto e ser mais criativa. Geralmente, eu formo o texto e sua estrutura na cabeça antes de escrevê-lo e percebi que, sempre enquanto esfrego panelas e pratos, consigo construir ideias e parágrafos mais facilmente. São momentos em que eu não preciso pensar e acabo me sentindo mais relaxada. No mesmo livro que comentei anteriormente, o autor explica porque atividades como dobrar roupas ou lavar a louça contribuem tanto para o processo criativo: “Quando nossas mentes estão relaxadas nós temos a chance de direcionar o holofote da atenção para dentro, para o rio de associações remotas que emanam do lado direito do cérebro. [...] É por isso que tantas ideias acontecem durante banhos quentes. Para muitas pessoas, essa é a parte mais relaxante do dia”.
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Em tempos de seca, indicar uma ducha criativa não é muito sensato, mas saiba que é uma possibilidade. Fotos © Bruna Rasmussen/Hypeness

A sobremesa antes da comida

Quando eu era criança, minha mãe ensinou que é preciso raspar o prato do almoço para ganhar a sobremesa. Eu cresci meio rebelde e, todos os dias, como a sobremesa antes da comida, mesmo sabendo ser errado. Antes que mamãe leia isso e tenha um xilique, explico: a sobremesa costuma vir na forma de um vídeo engraçadinho, um artigo fora do tópico do trabalho ou nas conexões curiosas que me levam de uma notícia a um passeio no Google Street View em algum lugar do outro lado do planeta. A procrastinação busca o prazer imediato. E isso não é muito esperto, já que os resultados são ansiedade, trabalhos que poderiam ter uma qualidade melhor e horários malucos.
Mas todo mundo que já começou uma dieta na segunda-feira ou prometeu no Ano Novo que ia parar de tomar refrigerante sabe que, como diz o ditado, old habits die hard. Não é da noite para o dia que eu vou me tornar uma ninja da produtividade e trabalhar sem distrações a tarde inteira. Mas por onde começar?
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Clique na imagem para aumentar. Imagem: Reprodução
Decidi que eu tinha duas horas e um Google todo pela frente para descobrir como as pessoas evitam a procrastinação e melhoram a disciplina, sobretudo no trabalho. A outra regra da pesquisa foi manter as conexões, que obviamente iriam acontecer, em uma janela separada. Toda vez que via ou lembrava de algo que gostaria de ler ou pesquisar sobre, deixava o link na outra janela e continuava a busca para exterminar o monstro da procrastinação.
Para a minha alegria, existem milhões de procrastinadores mais evoluídos e ex-procrastinadores para contar suas histórias de superação. Os métodos e dicas são variados, mas uma coisa é unânime: largar esse hábito não é tarefa fácil e demora muito mais do que a semana proposta no desafio.

O jeito certo de fazer uma lista

A dica de produtividade que foi essencial para esse começo de mudança de hábitos foram as listas. Elas não são exatamente novidade, já que eu sempre tive mania de anotar num caderninho tudo o que tenho que fazer. O problema é que durante todo esse tempo eu estive fazendo listas da forma errada e dando brecha para a procrastinação.
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Este é um exemplo de como NÃO fazer uma lista. Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
Descobri que além de ler meu feed de notícias e brincar com o gato, outra coisa que me dá prazer instantâneo é riscar itens cumpridos. Cada vez que eu termino uma tarefa e consigo riscá-la da lista, a sensação de eficiência e alívio toma conta e me arranca até um sorrisinho de glória. E não é só comigo que isso acontece, já que se trata de um padrão de recompensa interpretado pelo cérebro. Para estimular isso, então, a solução é fazer uma lista que renda várias recompensas.
E as duas palavras mágicas são: quebre tarefas. Em vez de anotar na lista que eu preciso escrever uma pauta, o ideal é desmembrar a tarefa em, no mínimo cinco itens: pesquisa, leitura, escrita, revisão e postagem. Para as tarefas de casa isso também funciona. No lugar de “limpar a casa”, itens como “tirar o pó da prateleira da sala”, “passar pano no chão da cozinha” e “trocar os lençóis” tornam as coisas mais simples e “fazíveis”.
O mesmo vale para objetivos maiores, como “aprender a programar” ou “escrever um livro”. Colocada dessa forma, a tarefa parece um bicho de duzentas cabeças. Contudo, ao desmembrá-la, têm-se itens que podem ser cumpridos aos poucos, como tijolos que formam uma construção.
Lista “errada”
  • Limpar a casa
  • Escrever um post
Lista “certa”
  • Casa: dobrar roupas que estão no sofá
  • Casa: passar pano no chão da cozinha
  • Casa: trocar os lençóis da cama
  • Casa: lavar a louça da pia
  • Casa: tirar o pó da mesa do escritório
  • Post: pesquisa
  • Post: leitura
  • Post: escrever
  • Post: revisar
  • Post: subir para o site

A regra dos 3 minutos

Durante minha pesquisa sobre procrastinação em publicações e fóruns, li diversas pessoas dando a mesma dica quando o problema é iniciar uma tarefa: desafie-se a fazer a tarefa indesejada por três minutos. Passado esse tempo, é bem provável que você acabe se entretendo e consiga manter o foco no trabalho por muito mais tempo que isso.
A regrinha funcionou bem e até decidi escrever uma mensagem “motivacional” no quadro branco, como você vê abaixo. Essa é a Nike me ajudando a entregar textos. “Apenas faça”, não pense muito e não titubeie. Por pelo menos três minutos. E não é que deu certo? Começar tarefas está sendo menos difícil, mas continuá-las ainda é um desafio, já que para procrastinar basta um clique.
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Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness

Técnica Pomodoro

Quando li o nome, já pensei em pizza e estava correndo pegar o telefone do delivery, chamar os amigos e namorada e… Respirei fundo e recuperei o foco. A técnica Pomodoro, criada nos anos 80, é uma forma simples de otimizar o tempo e tornar as atividades mais fáceis de serem cumpridas.
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Considerando comprar um tomate-relógio. Este é meramente ilustrativo. Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
Funciona assim: você divide o seu dia ou horário de trabalho em vários tomatinhos que equivalem a 25 minutos (ou o tempo que você quiser, mas o padrão é esse). Toda vez que você inicia a contagem de um tomatinho, é preciso fazer o máximo esforço que puder para se focar somente em uma tarefa: seja um job do trabalho, a leitura de um livro ou estudar para uma prova. Finalizado o tomatinho, você tem 5 minutos para relaxar e, então, deve dar conta de outro tomatinho. A cada quatro tomatinhos bem-sucedidos, você tem direito a um intervalo maior e assim por diante, até que você termine o dia ou todas as tarefas.
O nome Pomodoro foi escolhido porque o criador do método usava para cronometrar o tempo um relógio de cozinha que tinha forma de tomate. Como eu não tenho um relógio na cozinha, baixei um dos vários aplicativos gratuitos da técnica no celular (o escolhido se chama Easy Pomodoro, para iOS, mas se tiver uma dica melhor, pode deixar nos comentários!) e comecei a testar.
Posso dizer que a técnica, embora simples, é bastante útil. O diabinho que busca o prazer instantâneo e fica se mordendo para assistir à Hora da Aventura em vez de entregar os posts consegue muito bem me deixar em paz por 25 minutos e até mais. Na tentativa e erro, aliás, descobri que, no meu caso, o tempo ideal de cada tomatinho é 40 e não 25 minutos, dado que levantei após começar a cronometrar quanto tempo levo para finalizar uma tarefa padrão do meu trabalho.
Sendo assim, criei a seguinte configuração Pomodoro:
  • Cada tomate tem 40 minutos;
  • 5 minutos de intervalo a cada tomate;
  • 30 minutos de intervalo a cada 2 tomates;
Enquanto testava os 25 minutos, muitas vezes o intervalo caia bem no meio de um texto e, perdendo o fio da meada, eu acabava demorando muito para recuperar o raciocínio e o ritmo. Com 40 minutos de foco, no entanto, tenho o tempo necessário para finalizar um item da lista e o tomatinho explode na hora certa. O intervalo curto, de 5 minutos, permite levantar da cadeira, tomar água ou fazer um café, ir ao banheiro e, o principal, alongar as mãos – por trabalhar o dia inteiro com os dedos no teclado, tendinite sempre foi um problema para mim e me disciplinar para fazer alongamentos até então não havia sido possível.
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O Darth está louco para me levar para o lado procrastinado da Força. Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
Por fim, o intervalo maior é cronometrado em 30 minutos. “Mas não é muito tempo?”, você me pergunta. Meu trabalho envolve escrever muito e ler mais ainda, atividades que esgotam a mente, que clama por minutos de respiro. Nessa meia hora, eu consigo oxigenar as ideias dando uma volta, posso me perder no Facebook, conversar com amigos, ler o que está acontecendo no mundo, fazer carinho na barriga do gato, deitar no sofá para jogar Candy Crush (sim, sou dessas) ou lavar a louça. Dessa forma, quando volto para liquidar mais dois tomatinhos, a cabeça está fresca e realizar qualquer trabalho criativo fica mais fácil.

Disciplina, volver!

Enquanto escrevia esse texto, segui à risca meus intervalos, tomatinhos e consegui focar no post, mas confesso que, em paralelo, rolou uma luta intensa entre o diabinho do prazer instantâneo e o soldadinho da disciplina. Acontece que, depois de tantos anos, esse danado anda mal acostumado e não é fácil contê-lo. Ao fim de sete dias focados em procrastinar menos e ser mais disciplinada com o trabalho, seria mentira afirmar que consegui cumprir o desafio com sucesso e me tornei uma redatora megaprodutiva. O que consegui esta semana, no entanto, foi um passo importante que envolveu entender o problema da procrastinação e saber quais são as ferramentas e métodos disponíveis para enfrentá-lo.
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Theo, o gato, é uma constante distração quando resolve destruir a casa e derrubar todos os bonequinhos da prateleira em busca de atenção. Foto © Bruna Rasmussen/Hypeness
O trio lista + regra dos 3 minutos + técnica pomodoro permitiu que eu adaptasse à minha rotina um ritmo de trabalho mais disciplinado. É claro que nem sempre vou conseguir segui-lo à risca. E-mails urgentes chegam, o interfone toca, o gato destrói a casa, a internet para de funcionar, a luz acaba, entre tantas outras coisas que podem atrapalhar o plano ideal de trabalho. É preciso manter essas regras flexíveis a fim de evitar a frustração – ela é uma grande brecha para a procrastinação, lembra?
Bom, agora que me dediquei por uma semana à busca pela disciplina, vou tentar dar continuidade ao plano, adaptar métodos e parar de enviar posts às 3 da manhã – certo, Jaque? Quem sabe o soldadinho se torne um grande general!
E então, se anima a tentar eliminar esse diabinho da procrastinação da sua vida durante uma semana? Então se junte a nós! Para dar início esse desafio, poste uma foto nas suas redes sociais com a #desafiohypeness3 e #umasemanasemprocrastinar. Sua foto pode vir parar aqui no Hypeness!
Notas
1 Imagine: How Creativity Works, de Jonah Lehrer. O livro ainda não tem tradução para o português mas está disponível em formato digital via Amazon.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Espectro político, mentes cativas e idolatria


Tirado de http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=381


Aquele nosso inimigo era leão quando se enfurecia abertamente; agora é dragão quando ocultamente arma ciladas. (...) Como a nossos pais era necessária a paciência no combate contra o leão, assim precisamos da vigilância contra o dragão. No entanto, a perseguição, seja do leão, seja do dragão nunca cessa para a Igreja; e é mais temível quando engana do que quando se enfurece. 

Naquele tempo queria forçar os cristãos a negarem a Cristo; agora ensina os cristãos a negarem a Cristo; então coagia, agora ensina. Então introduzia violências; agora, insídias. Aparecia então furioso, agora mostra-se insinuante e dificilmente aparenta erro.1 


I. Esquerda e direita
Diante do debate político ora em curso, é necessário se definir o que vem a ser “direita” e “esquerda”. A esquerda pode ser definida como aquele modelo do espectro político em que há pouca ou nenhuma liberdade pessoal e econômica, em que o Estado ou partido ganha uma dimensão transcendente, agindo para estender seu domínio sobre todas as esferas da sociedade. Por outro lado, a direita privilegia a liberdade pessoal e econômica, e a garantia dos direitos individuais, sendo os limites o respeito à vida, à propriedade e à liberdade dos demais.2 Tais termos ganharam este significado após o começo da Guerra Fria.

No Brasil, convencionou-se tratar como “direita” o regime militar, que tomou o poder no Brasil entre 1964-1985, e como “esquerda” os grupos que se opuseram às forças armadas e almejavam um regime socialista. Curiosamente, tanto os militares como a esquerda compartilhavam o autoritarismo e o desenvolvimentismo intervencionista. Mas, se a direita assume como absoluta a valorização do indivíduo, como este sistema pode se degenerar em autoritarismo ou totalitarismo? Há exemplos históricos de regimes autoritários ou totalitários que afirmaram a liberdade individual? Na verdade, não. Antes, foram regimes esquerdistas que almejaram controlar (Gleichschaltung) firmemente todas as esferas da sociedade (família, artes, esportes, igreja, economia e imprensa), a partir da noção da transcendência do Estado/Partido.3 

Paul e Raphael Freston, no artigo “De esquerda ou de direita, sejamos inteligentes e cristãos”,4 citando Norberto Bobbio, definem a direita como o espectro político que “enfatiza o ideal da liberdade individual”. Todavia, antes, eles escreveram que se ignora “os exemplos – muito mais numerosos – de autoritarismo de direita”. Porém, a sugestão ou afirmação de que o nazismo, o fascismo e as ditaduras militares da América Latina das décadas de 1960-1980 representam a “direita” é baseada numa contradição entre definição conceitual e realidade histórica.5 O fato é que os ditadores mais cruéis da história do século XX foram esquerdistas: Lênin e Stalin (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), Adolf Hitler (Alemanha) e Walter Ulbricht (Alemanha Oriental), Nicolae Ceauşescu (Romênia), Pol-Pot (Cambodja), Hồ Chí Minh (China). Cuba, Coreia do Norte e Venezuela são hoje estados-modelos de esquerdismo.6 

Nestes debates, a esquerda nunca é comparada à direita. A armadilha do discurso da esquerda é comparar uma ideia “perfeita” com a realidade, como se isso fosse prova da superioridade esquerdista. Porém, a honestidade intelectual exige que se compare o socialismo real com o capitalismo real. Nesse caso, fica escancarada a inferioridade da esquerda. Pois, como escreve Denis Rosenfield, a comparação “deveria ser entre a Alemanha [Ocidental] capitalista e a [Alemanha Oriental] socialista, ou ainda, entre a Coreia [do Sul] capitalista e a [Coreia do Norte] socialista”, mas a comparação é filtrada por uma “mentalidade religiosa”, “teológico-política”, onde se compara a direita real “com a ideia do socialismo, forjada por aqueles que lhe atribuem todas as perfeições”.

Isto é equivalente a comparar uma sociedade perfeita a uma imperfeita, ou ainda, a comparar o homem a Deus. É claro que o homem, com suas imperfeições, sairá sempre perdendo quando comparado a Deus. O mesmo destino teria a comparação entre uma sociedade perfeita (ideal) e uma imperfeita (real). (...) Ou seja, atribui-se ao socialismo todas as perfeições e, de posse destes atributos, passa-se a verificar se eles ‘existem’ no capitalismo.7 

Wolfhart Pannenberg lembra que devemos ter em mente que o “anticristo se manifesta (...) particularmente em doutrinas intramundanas [utópicas] de redenção e salvação, às quais as pessoas das sociedades modernas estão expostas”. Na escatologia das utopias intramundanas “explicitaram-se, pois, as consequências do aproveitamento funcionalista dos indivíduos (...), particularmente no caso do marxismo pelo fato de a felicidade dos agora vivos ser sacrificada sem escrúpulos em nome do pretenso alvo da humanidade”, em que “apenas os indivíduos da geração então vivente poderiam participar” deste “milênio secularizado”. E o contraste entre esta utopia e a esperança ensinada pela fé cristã é claramente estabelecido:

Em toda escatologia intramundana [como o marxismo] a consumação (supostamente) geral tem de ser buscada e afirmada à custa dos indivíduos [em que ‘os indivíduos de gerações passadas’ não ‘participarão da concretização futura de sua destinação’]. Essa é a estrutura anticristã da escatologia intramundana. Em contrapartida, a escatologia cristã preserva o vínculo indissolúvel de destinação individual e geral da humanidade. Através da glorificação dos indivíduos de mãos dadas com a glorificação do Pai e do Filho por eles, se concretizará o reino de Deus e será não apenas consumada, mas também aceita em geral a justificação de Deus perante os sofrimentos do mundo.8 

Então, diferente do que se apregoa, partidos de esquerda e extrema-esquerda não são de orientação democrática. Suas propostas são inspiradas na ideia do Estado coercitivo, julgador e punidor. Não reconhecem a dinâmica de equilíbrio dos segmentos da sociedade e das instituições republicanas. Por pensarem desse modo, facilmente são corrompidos pela ideia de que são os “donos da verdade” e únicos porta-vozes da justiça.9 

Aliás, a degeneração institucional, a perseguição a jornalistas e o uso de violência e prisões arbitrárias para tentar sufocar os protestos por democracia na Venezuela torna o silêncio de setores da imprensa e do governo esquerdista brasileiro indigno e cúmplice.10 O incrível é que só na América Latina esta devoção ao esquerdismo sobrevive. As nações latino-americanas tornaram-se, de fato, a vanguarda do atraso.

II. Liberalismo e democracia
Ainda que a divisão entre direita e esquerda tenha se tornado lugar comum no debate político no Pós-Guerra e Guerra Fria, só sobrevivem hoje na cultura norte-americana com mais ou menos consistência ideológica. E deve-se lembrar de que o sistema bipartidário dos Estados Unidos foi uma criação dos Pais Fundadores, para que o sistema bloqueasse qualquer radicalismo político. Hoje o sistema entrou “em curto” nos Estados Unidos, especialmente porque Deus, que era importante no pensamento político dos Pais Fundadores, foi melancolicamente afastado para a esfera privada por dirigentes dos partidos Republicano e Democrata.11 

Parece que na cultura europeia e brasileira talvez faça mais sentido falar em termos de “liberal” e “antiliberal”.12 A partir de tal paradigma, pode-se perceber que há incrustada no país uma mentalidade antiliberal, entre as elites (coronéis, famílias, conglomerados) e governo (qualquer que seja), que se caracteriza por protecionismo, economia dirigida e centralizada, ódio feroz às privatizações e ao mercado, alta taxa de impostos, pacto a favor do estado e contra as liberdades fundamentais do povo/indivíduos – conceitos associados, tradicionalmente, à esquerda. É importante notar que todos os governos a partir da proclamação da república no Brasil foram antiliberais e populistas – uma marca da política de toda a América Latina. Isso se aplica especialmente a Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, o regime militar, Fernando Collor, Lula e Dilma Rousseff.13 

Essa mentalidade antiliberal também se revela na estrutura estatal. O estado brasileiro interfere e intervém em todas as esferas da sociedade (família, artes, esportes, igreja, economia e imprensa). Porém, tudo o que o estado faz é tradicionalmente marcado por ineficiência, incompetência e corrupção. E, num caso de deslocamento da realidade, “ongueiros” profissionais, políticos e “ativistas” ligados a partidos de esquerda e extrema-esquerda como PT, PSOL e PSTU dizem que o país precisa de mais Estado! 

Por outro lado, o liberalismo preconiza que se precisa de menos Estado, e que este seja enxuto e eficaz; a redução da interferência do Estado na economia ao mínimo necessário; a defesa da propriedade privada; a privatização das empresas estatais e de serviços públicos que possam ser oferecidos pela iniciativa privada; o livre mercado; e a redução das despesas do governo com a consequente redução da carga tributária. Assim como afirma o respeito ao Império da Lei e às liberdades individuais; à iniciativa privada; às diversas esferas que compõem a sociedade; e o fomento às estruturas mediadoras (intermediate bodies). Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Coreia do Sul, entre outros, são guiados por ideais liberais em maior ou menor grau – e o resultado está à vista de todos.14

III. “Geração Coca-Cola”
Diante dessas considerações, é interessante identificar quais os motivos da tendência esquerdista entre os jovens. Estes parecem pertencer à classe alta ou média alta, estudam em universidades estaduais ou federais e recebem bolsas governamentais para (não raro) estudar no exterior. Para eles, os proletários, por viverem para o trabalho, não têm consciência de seu estado de escravidão. E são os membros desta nova classe de “homens novos” que poderão não somente iluminar, mas guiar as massas na luta contra a opressão. 

O mundo passa a ser interpretado a partir de uma “nova moral”, que opõe estes que almejam um mundo melhor contra a mentalidade rígida da sociedade. Portanto, o mundo é dividido em opressores e oprimidos, onde todos os bons são oprimidos, todos os que discordam são opressores, e estes devem ser cooptados, silenciados ou eliminados.15 A complexidade social é reduzida a uma luta entre o bem e o mal, uma luta entre o povo e as elites. Não raro, os trabalhadores são tratados como “massa alienada” por não os apoiar, rotulados como gente que “não quer mudar” e que não enxerga “a luta por mudança”. Curiosamente, durante a Guerra Fria, na Polônia e na Alemanha Oriental, estes idealistas eram chamados pelo proletariado, com cinismo, de “burgueses vermelhos”. A mesma repulsa já se evidencia aqui no Brasil, especialmente por parte das camadas mais baixas da sociedade.16 

Urge estudar as conexões de Black Blocs (mascarados vestidos de preto e armados com bombas, coquetéis molotov, pedras e paus) com partidos da esquerda e extrema-esquerda, como o PSOL.17 Quem financia e orienta os Black Blocs? Quem lhes presta assessoria jurídica? O modus operandi desta milícia é velho, antiquado, nada diferente das forças de choque fascistas (Itália, 1920), nazistas (Alemanha, 1930) e esquerdistas (Alemanha, 1970-1998) presentes na história da Europa no século XX.18 Também há similaridades com o procedimento de vários grupos de guerrilha no Brasil durante a ditadura, tais como a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).19 Os Black Blocs fazem ressurgir a violência em manifestações nas ruas justamente em um momento de ascensão de um discurso de intolerância e ódio em relação às principais instituições que dão sentido a uma democracia, vista por estes como um sistema burguês tirânico.20 

Não apareceu nas páginas destes grupos ou partidos uma “nota de condolências” ou uma referência à morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes.21 Os que escreveram nas páginas do grupo sugeriam que a tragédia foi um erro “das empresas de comunicação” ou culpa do Estado. Ou rebateram com a lembrança de “tudo que a Polícia Militar já fez”, como um exemplo de “contraviolência”. Nisso também lembram os antigos guerrilheiros, que justificavam suas ações violentas com o termo “represália”.22 Assim sendo, os partidos que apoiam os Black Blocs não têm lastro moral para criticar os “justiceiros” do bairro do Flamengo-RJ.23 Ora, em um país sob uma carta constitucional, a lei não vale para todos, igualmente? 24

Deste modo, parece que a violência dos Black Blocs só serve ao governo federal do PT, pois, além de jamais ostentar cartazes ou gritar palavras de ordem contra a falência da saúde e da educação, esvazia as manifestações legítimas com sua violência. Do “milhão”, as passeatas recuaram para os milhares e, finalmente, as centenas, como nas últimas ocasiões. 

Espantam-me cada vez mais os rumos da esquerda brasileira. Em vez de aproveitar a oportunidade de sua passagem pelo poder e pôr em prática os ideais de educação, conscientização e espírito de coletividade e trabalho (marcas registradas das promessas socialistas), eles preferem disseminar entre os jovens um espírito de revolta, ignorância e demagogia. Como nota Demétrio Magnoli, “há algo de profundamente errado com um país incapaz de enxergar a face do mal, quando ela se esconde atrás da máscara de uma ideologia”.25 

Alguns destes jovens associados à esquerda se identificam como cristãos, mas possuem mais conexão com grupos paraeclesiásticos do que com igrejas locais. Estes cristãos que militam em partidos e grupos de esquerda e extrema-esquerda se autodenominam no Brasil de “cristãos progressistas”. Curiosa – e reveladoramente – os católicos poloneses que apoiavam os nazistas, antes da II Guerra, e os comunistas, no Pós-Guerra, também se chamavam de “cristãos progressistas”. 

O que parece é que a ausência do “totalmente outro” (totaliter aliter) leva pessoas a adotar uma ideologia que almeja transcendência, e que supostamente as auxilia a superar as contradições de uma sociedade existencialmente opressiva, satisfazendo a “preocupação suprema” de suas vidas, o sonho de um “outro mundo possível”.26 Portanto, uma pergunta se impõe aos pregadores e às comunidades cristãs: como responder a este anseio por algo além e acima da criação, que todas as pessoas almejam? Como satisfazer tal desejo, levando pessoas da idolatria à “transcendência desviada”, isto é, ao ente estatal e a ideologia (de direita ou de esquerda), para o culto ao Deus todo-poderoso, o “totalmente outro”, que se revela apenas nas Escrituras Sagradas? Será que na atualidade o evangelho, as boas novas de Deus em Cristo – morto por nossos pecados e ressuscitado para nossa redenção –, tem sido oferecido com paixão e dependência do Espírito Santo? O Deus-Trindade é oferecido como o único que pode satisfazer a “preocupação suprema” que todas as pessoas experimentam?

IV. “Não terás outros deuses diante de mim” 
A mentalidade esquerdista antiliberal é binária: “nós” e “eles”, os “bons” e os “maus”, os revolucionários e os reacionários, a esquerda e a direita. Esquerdistas não conseguem pensar em termos de gradações.27 Então, se alguém os critica, este deve ser, forçosamente, de “direita”. E acaba-se o debate, pois o esquerdista, para equalizar o confronto, começará a falar dos problemas da suposta direita no Brasil – como se houvesse de fato uma direita organizada e partidos políticos liberais no país. E, de forma típica, em vez de colocar argumento contra argumento, o esquerdista usará o discurso da vitimização ou do constrangimento moral/espiritual para se evadir das profundas contradições de seu sistema. Ou apelará para a difamação pura e simples.

Só que “o marxismo”, como escreveu Richard Sturz, “não passa de uma heresia ao cristianismo. Em vez de abolir a religião, o marxismo tornou-se uma religião secular. Seus ensinos são apresentados como substitutos para as doutrinas cristãs”28. Esta elevação transcendental da ideologia e a incapacidade de autocrítica revela na esquerda uma lealdade idolátrica.

Os cristãos, que buscam confessar sua fé em submissão às Escrituras, creem que há um só Senhor e Rei, o único Deus todo-poderoso. Os cristãos são súditos do “bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores” (1Tm 6.15). E esperam a “pátria [que] está nos céus”, de onde aguardam “o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20), o único que traz o juízo e a salvação para toda a sociedade. 

Os cristãos não dividem sua lealdade com um Estado/partido/governo que requer fidelidade religiosa, pois os cristãos sabem que tal lealdade é idolatria, uma quebra do primeiro mandamento.29 Portanto, os cristãos têm a liberdade – que mesmo os melhores entre os incrédulos não têm – de criticar qualquer sistema político, qualquer ideologia, pois eles o fazem a partir da crença de que somente o Senhor Deus tem o direito de comandar todas as esferas da sociedade. Nenhum governo ou partido recebeu este direito. E os cristãos também creem que governos e partidos que anseiam ser totais deixam de ser a “autoridade ordenada por Deus” (Rm 13.1-7),30 para se tornar “uma besta” que recebeu “seu trono e grande autoridade” do dragão (Ap 13.1-18). E diante desta, a resposta cristã é: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

Portanto, o autoritarismo e o totalitarismo precisam ser resistidos pelos cristãos, por todos os meios legítimos. E, para tanto, precisamos perguntar: “Se o cristão crê que Deus é o único rei e senhor absoluto, ele pode entregar sua lealdade ao partido ou ao Estado autoritário ou totalitário?”. A resposta é: “Não”! É incompatível alguém declarar que adora a Deus como o Senhor que fala apenas por meio de sua Palavra e tornar-se servil a um Estado iníquo. Isso implica que um cristão que se submete a tal Estado coloca-se numa posição contrária à Escritura, tornando-se meramente “o lacaio sagrado do governo”.31 

Geralmente – mas não exclusivamente – são teólogos liberais que apoiam o esquerdismo. E estes são os que descartam as Escrituras Sagradas como a única Palavra de Deus que se deve ouvir, e também diminuem a glória e majestade de Deus, como ocorre no teísmo aberto e nas teologias da libertação. Para estes, “a alternativa é crer em um deus que tem o nome, mas não as qualidades do Deus revelado nas Escrituras, e não passa de uma simples capitulação ao marxismo”.32 Mesmo o ser humano é estranho à esquerda – não há interesse no destino da pessoa real e concreta, mas apenas na emancipação da classe proletária, oprimida e alienada.33 

Há um esforço consciente de cooptar o que for necessário para dar respeitabilidade a esta tentativa de fundir o esquerdismo com uma revisão da fé cristã. O legado de Dietrich Bonhoeffer é um exemplo desta associação a serviço do marxismo. Cita-se como apoio a uma interpretação esquerdista de Bonhoeffer seu exemplo de resistência ao nazismo e algumas frases de sua correspondência, Resistência e submissão. Mas não há preocupação de colocar o mártir alemão em contexto.34 Como um teólogo alistado no serviço de inteligência militar (Abwehr), amigo de militares nacionalistas que ansiavam por uma paz em separado com a Inglaterra e os Estados Unidos para, aliados a estes, atacarem a União Soviética, pode ser usado como inspiração para uma aproximação entre cristãos e esquerdistas, ou como precursor da teologia da libertação?

Em um apêndice de sua tese de doutorado, escrita em 1927, Bonhoeffer tratou da questão da igreja e do proletariado.35 Ele afirmou a necessidade da igreja evangélica alemã pregar o evangelho ao proletariado, que vivia em miséria e isolamento. E isso se daria quando a igreja parasse de se dirigir apenas à burguesia, que usufruía segurança, relações familiares ordenadas e relativa cultura; se a igreja não anunciasse o evangelho ao proletariado, este seria seduzido pelos socialistas. Para o teólogo alemão, o que estava em jogo era a exclusividade do evangelho, Deus em juízo e graça. Como ele conclui, o evangelho não pode ser confundido com o socialismo, e não será por meio desta ideologia que o Reino de Deus virá à terra. Este será consumado somente por meio do evangelho.

Portanto, o objetivo dos esquerdistas é adequar uma revisão da fé cristã a uma ideologia que lhe é completamente oposta. Por isso o ódio teológico (odium theologicum) que os teólogos liberais têm pela fé reformada. Pois, na verdade, as doutrinas da autoridade da Escritura, da predestinação e da aliança são as verdadeiras motivações de revoluções políticas de longo alcance, como as revoluções inglesa e americana, nos séculos XVII e XVIII.

Diante dos fatos, há os que apelam para o argumento emocional de que uma postura antiesquerdista é “insensível”, “descaridosa” e “alienada”. Não custa lembrar: cristãos fazem “o bem a todos”, e “principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6.7-10), constrangidos por amor e lealdade a Jesus Cristo; não terceirizam seu amor, entregando-o ao arbítrio do Estado. Em Atos 2.41-47, passagem tão ao gosto desta mentalidade, os primeiros cristãos repartem o que possuem não constrangidos pelo Estado ou pelo imperador – mas o fazem livremente por amor ao Senhor Deus e ao próximo.

V. “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança”
Helmuth James Graf von Moltke foi preso em janeiro de 1944 por fazer parte da resistência alemã contra o Partido Nacional Socialista. Levado ao tribunal, ele travou o seguinte diálogo com o juiz-algoz, pouco antes de sua morte, em 23 de janeiro de 1945:


No decorrer de seus discursos, [o juiz Roland] Freisler me disse: ‘O Nacional Socialismo assemelha-se ao cristianismo em apenas um aspecto: nós exigimos a totalidade do homem’. Não sei se os outros que estavam sentados ali puderam compreender o que foi dito, pois esse foi o tipo de diálogo travado entre Freisler e eu – um diálogo subentendido, visto que não tive a chance de dizer muita coisa – um diálogo por meio do qual passamos a conhecer um ao outro totalmente. Freisler era o único do grupo que me entendia completamente, e o único que percebia por que deveria me matar... No meu caso, tudo era determinado da forma mais severa. ‘De quem você recebe ordens, do outro mundo ou de Adolf Hitler? Onde você deposita sua lealdade e sua fé’?

Tal pergunta também não está ligada à luta entre a lealdade à esquerda (assim como a qualquer outra posição do espectro político) e a exclusiva adoração ao Deus-Trindade, o único e verdadeiro soberano e rei?

A frase decisiva no processo foi: ‘Herr Conde, o cristianismo e nós, nacional socialistas, temos apenas uma coisa em comum; uma única coisa: nós reivindicamos a totalidade do homem’. Eu gostaria de saber se ele realmente compreendia o que havia dito ali. (...)

Mantive minha posição (...) não como um protestante, não como um proprietário de terras, não como um nobre, não como um prussiano, nem mesmo como um alemão... Nada disso, mantive minha posição como um cristão e nada mais... 36

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1Santo Agostinho, Comentário aos Salmos, 39,1 (São Paulo: Paulus, 1997), p. 635-636.
2Para esta conceituação e bibliografia, cf. Franklin Ferreira, Curso Vida Nova de teologia básica: Teologia sistemática (São Paulo: Edições Vida Nova, 2013), p. 210-212. Neste livro também estabelece-se uma diferenciação entre a posição fundamentalista evangélica de rejeição do espaço público e o desenvolvimento de uma compreensão reformada, que entende Deus como o senhor absoluto de toda a realidade (p. 212-218).
3Para o significado de autoritarismo, cf. Norberto Bobbio; Nicola Matteucci; Gianfranco Paquino, Dicionário de política (Brasília: UnB, 1986), p. 94-104. Para uma conceituação de totalitarismo, exemplificado na Alemanha nazista e na União Soviética comunista, cf. Hannah Arendt, Origens do totalitarismo (São Paulo: Companhia das Letras, 1989), p. 339-531.
4Publicado na revista Ultimato, nº 346. Para uma análise deste texto, cf. Jonas Madureira, Tolerância: a atitude própria de toda alma robusta, http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=366.
5Rotular o Partido Nacional-Socialista Alemão (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiters Partei) como “extrema direita” é somente a repetição de um cliché comum que, admito, é muito popular, mas não se coaduna com a realidade. Os líderes do Partido Nazista se viam como legítimos socialistas, desprezando a aristocracia, o livre mercado, o capitalismo e a democracia liberal. Foram comunistas estalinistas que ajudaram as forças armadas alemãs a se rearmarem – o que era proibido pelo Tratado de Versalhes –, e o treinamento da força aérea e das forças blindadas alemãs se deu em território soviético, na década de 1930. Em 1934 havia moedas nazistas cunhadas com a foice e o martelo (basta uma procura no Google Imagens, por “Tag Der Arbeit”). E, no começo da Segunda Guerra, nazistas e comunistas tinham um pacto de não-agressão. Inclusive, duas semanas após a invasão alemã da Polônia, os soviéticos a invadiram, pois a partilha daquele país era parte do pacto de não agressão teuto-soviético. No conjunto, os dois totalitarismos foram responsáveis por alguns dos maiores genocídios da história, como o Holocausto judeu (Shoah) efetuado pelos nazistas, e o genocídio ucraniano (Holodomor) e o Grande Terror, perpetrados por Stalin. Portanto, em última instância, tanto o comunismo como o nazismo são socialismos, sendo o primeiro um socialismo de classe e internacional, e o segundo um socialismo étnico e nacionalista. E só houve guerra entre os dois totalitarismos porque a extrema-esquerda tem caráter autofágico, multiplicando as dissensões internas quando as externas arrefecem – como ocorreu com Stalin, por exemplo, que com medo de traição mandou matar milhares de líderes do partido e do alto comando das forças armadas no Grande Expurgo, entre 1934-1939. Na atualidade, o neonazismo ressurge nas cidades da antiga Alemanha Oriental comunista. Para uma introdução a esta classificação do nazismo e comunismo, cf. Alain Besançon, A infelicidade do século (Sao Paulo: Bertrand Brasil, 2000).
6Chega-se a uma cifra de 85 a 100 milhões de mortos por comunistas no século XX. Cf. Stephanie Courtois (org.), O livro negro do comunismo (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999). Aos nazistas são atribuídos cerca de 20 milhões de mortos.
7Denis Lerrer Rosenfield, “O embuste ideológico”, em O Globo: http://oglobo.globo.com/opiniao/o-embuste-ideologico-11167368. Agradeço a Rodrigo Majewski, professor do Instituto Bíblico Esperança, em Porto Alegre-RS, por me chamar a atenção a este ponto.
8Wolfhart Pannenberg, Teologia Sistemática. vol. 3 (Santo André: Academia Cristã & São Paulo: Paulus, 2009), p. 767, 828.
9Ainda assim, deve-se tomar cuidado em não se cair no dualismo esquerdista (ver tópico IV abaixo) e supor que não há inteligência e/ou honestidade na centro-esquerda. Reconheço na socialdemocracia uma esquerda legítima, da qual se pode discordar com respeito e abertura ao diálogo. Mas, curiosamente, quando na presidência da república brasileira, esta socialdemocracia foi rotulada de “conservadora”, “direitista” e “neoliberal” por partidos de esquerda e extrema-esquerda.
10Em 6 de março de 2014 quatro ex-presidentes da América Latina condenaram a repressão na Venezuela: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/06/internacional/1394125471_182731.html. Os autores da declaração conjunta foram Fernando Henrique Cardoso, Oscar Arias Sánches, Ricardo Lagos e Alejandro Toledo. Cf. o depoimento de Renato Vargens, “Relato daquilo que eu vi na Venezuela de Nicolás Maduro”, em http://renatovargens.blogspot.com.br/2014/04/coisas-que-eu-vi-na-venezuela.html.
11Ainda que a fé de quase todos os Pais Fundadores fosse deísta, a crença na divindade desempenhava papel vital na interpretação da Declaração de Independência e, especialmente, da Constituição dos Estados Unidos. Cf. David Holmes, The Faiths of the Founding Fathers (New York, NY: Oxford University Press, 2006). Outra razão para a crise do bipartidarismo seria a ingerência política do FED sobre os partidos políticos dos Estados Unidos.
12Sobre essa conceituação, cf. a entrevista no programa “Painel”, da Globo News, com Luiz Felipe Pondé, Reinaldo Azevedo e Bolívar Lamounier, sob a mediação de William Waack: http://www.youtube.com/watch?v=lwEUK8_E60k.
13De acordo com Marco Antônio Villa, há no Brasil “uma tradição antidemocrática solidamente enraizada e que nasceu com o positivismo, no final do Império. O desprezo pela democracia foi um espectro que rondou o nosso país durante cem anos de república. Tanto os setores conservadores como os chamados progressistas transformaram a democracia em um obstáculo à solução dos grandes problemas nacionais, especialmente nos momentos de crise política”. “Ditadura à brasileira”, Folha de São Paulo Opinião, 5 de março de 2009, em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0503200908.htm. Cf. também Nelson Paes Leme, “Os donos do poder”, em http://oglobo.globo.com/opiniao/os-donos-do-poder-12305436.


14Segundo o Democracy index 2012 produzido pela revista The Economist, o Brasil está em 44º no ranking da democracia, com as seguintes avaliações: geral: 7.12; processo eleitoral e pluralidade: 9.58; governança: 7.50; participação política: 5.00; cultura política: 4.38; liberdades civis: 9.12. Os países ranqueados até o 25º lugar são considerados “democracias completas”; do 26º até o 79º, “democracias falhas”; do 80º até o 116º, “regimes híbridos”; do 117º até o 167º, “regimes autoritários”. A Venezuela está em 95º, como um regime híbrido, com avaliação geral de 5.15 e Cuba está em 127º, um regime autoritário com avaliação geral em 3.52. Deve-se destacar que desde 2006 tanto as avaliações do Brasil como da Venezuela caíram. Cf. Democracy index 2012: Democracy at a standstill – A report from The Economist Intelligence Unit, em: http://pages.eiu.com/rs/eiu2/images/Democracy-Index-2012.pdf.
15Este ponto pode ser ilustrado na campanha de difamação sistemática contra a jornalista do SBT, Rachel Sheherazade, patrocinada por sindicatos e partidos de esquerda e extrema-esquerda. Os mesmos setores silenciaram quando um obscuro professor de filosofia, esquerdista, postou em seu Twitter um desejo para 2014: o estupro de Sheherazade.
16um exemplo sintomático: “Sininho”, a jovem ativista do grupo dos Black Blocs, foi insultada na rua como “patricinha hipócrita” por passageiros de ônibus. Cf. http://oglobo.globo.com/rio/sininho-chamada-de-patricinha-hipocrita-ao-deixar-delegacia-11573691.
17O PSOL é um partido de extrema-esquerda, que tem entre seus fundadores um terrorista italiano (Achille Lollo) e que lutou para dar asilo a outro terrorista italiano (Cesare Battisti).
18Para aludir à famosa frase de Karl Marx em O 18 brumário de Luís Bonaparte, “a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa”, recomendo o filme O Grupo Baader Meinhof (2008), que conta a história do grupo de extrema-esquerda Fração do Exército Vermelho (RAF).
19O ex-militante de esquerda Augusto de Franco comentou que havia a tática de provocar a polícia para obter respostas violentas e, assim, desacreditar as instituições responsáveis pela ordem. Cf. http://globotv.globo.com/globo-news/entre-aspas/v/entre-aspas-discute-a-atuacao-dos-black-blocs-na-morte-do-cinegrafista-santiago-andrade/3147060.
20Cf. Merval Pereira, “O futuro da democracia”, em O Globo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?blogadmin=true&cod_post=526563&ch=n: “Segundo a Freedom House, um centro de estudos nos Estados Unidos dedicado à análise da liberdade no mundo, 2013 foi o oitavo ano seguido em que a liberdade global declinou”.
21Como jornalistas da TV Globo atribuíram a morte do cinegrafista inicialmente à Policia Militar, Alon Feuerwerker considerou 7 de fevereiro de 2014 como “o dia em que a TV russa salvou o jornalismo brasileiro”, por causa das imagens da agência de notícias russa Ruptly, que foram fundamentais para descobrir que o artefato que vitimou Santiago Andrade foi lançado por Black Blocs.
22 VAR-Palmares chegou a planejar a execução (ou, em linguagem revolucionária, “justiçamento”) de militares. Cf. http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,var-palmares-planejou-execucao-de-militares,705934,0.htm?p=1. Ex-militantes, como Fernando Gabeira, confessam que os programas de seus grupos realmente incluíam a “ditadura do proletariado” no Brasil. Cf. http://www.youtube.com/watch?v=8VtXhnxWHC0. Cf. também Marco Antonio Villa, sobre o conturbado período da ditadura: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,golpe-a-brasileira,1131917,0.htm.
23f. http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/02/1407239-adolescente-e-agredido-a-pauladas-e-acorrentado-nu-a-poste-na-zona-sul-do-rio.shtml.
24Tal procedimento ilustra um uso ideologicamente contaminado dos direitos humanos. Cf. Ruy Fabiano, “Direitos humanos seletivos”, O Globo, http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2014/02/15/direitos-humanos-seletivos-524517.asp.
25Demétrio Magnoli, “Causa mortis”, O Globo, http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2014/02/13/causa-mortis-524204.asp.
26Outro elemento que vale a pena ser destacado é a culpa difusa que esses jovens de família abastada provavelmente sentem pela desigualdade, uma culpa que recebe nome e solução nas ideologias de esquerda. Cf. Norma Braga Venâncio em A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã (São Paulo: Vida Nova, 2012), p. 179-181.
27Cf. John M. Ellis, em Literature Lost (New Haven & Londres: Yale University Press, 1997), que analisou o fenômeno chamado por ele de “lógica do tudo-ou-nada” (all or nothing logic) no campo das ciências literárias nas universidades americanas, tomadas pelo pensamento de esquerda.
28Richard J. Sturz, “O marxismo e a fé cristã”, em Colin Brown, Filosofia e fé cristã (São Paulo: Vida Nova, 2007), p. 274.
29Karl Barth, “O primeiro mandamento como axioma teológico”, em Walter Altmann (org.), Karl Barth: Dádiva & louvor; artigos selecionados (São Leopoldo: IEPG & Sinodal, 1996), p. 127-139.
30 Para a teologia anti-imperial de Paulo, cf. N. T. Wright, Paulo: novas perspectivas (São Paulo: Loyola 2009), p. 83-106. 
31Cf. Eberhard Busch, “Igreja e política na tradição reformada”, em: Donald McKim (ed.), Grandes temas da tradição reformada, p. 160-175. A questão de fundo aqui é a legitimidade do Estado. A comunidade cristã honra o Estado quando este é legítimo, inclusive servindo-o, mas resiste-o quando se torna não-legítimo. Para tal, é necessário distinguir entre ordem e arbítrio, democracia e tirania, liberdade e anarquia, etc. Cf. Karl Barth, “Comunidade cristã e comunidade civil”, p. 289-315.
32Richard J. Sturz, “O marxismo e a fé cristã”, p. 277.
33Richard J. Sturz, “O marxismo e a fé cristã”, p. 268-271.
34Isso ocorre tipicamente nos cursos de graduação em teologia, ao tratar de teologia contemporânea; ensinam-se alguns temas da teologia de Barth e Bonhoeffer, por exemplo, mas há pouco ou nenhum esforço de inseri-los no contexto intelectual, político ou social da Europa ocidental das décadas de 1910 a 1940. Cf. especialmente Dean G. Stroud (ed.), Preaching in Hitler’s Shadow: Sermons of Resistance in the Third Reich (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2013), p. 3-48.
35Dietrich Bonhoeffer, Sociologia de la Iglesia: Sanctorum Communio (Salamanca: Ediciones Sígueme, 1969), p. 248-251. Para um exemplo de resistência ao totalitarismo cubano, baseado em Bonhoeffer, cf. a história do pastor batista Mario Felix Lleonart Barroso, autor do blog cubanoconfesante.com, em “Cuba Case Study: Bonhoeffer-Inspired Pastor Arrested After Blogs, Tweets, and D.C. Trip”: http://www.christianitytoday.com/gleanings/2014/january/cuba-case-study-pastor-mario-lleonart-arrested-csw.html.
36Cf. Michael Haykin, Palavras de amor (São José dos Campos: Fiel, 2011), p. 139-140. Este trecho é de uma carta escrita da prisão de Tegel para sua esposa, Freya, em 11 de janeiro de 1945. Moltke era luterano, e membro do Círculo de Kreisau, de resistência não violenta ao nazismo, mas foi executado na prisão de Plötzensee, em Berlim, na esteira do fracasso da Operação Valquíria.