sábado, 29 de março de 2014

Educação Liberal 1 - Religiões Monoteístas dominantes

Para se ir além da mediocridade (que vem de algo médio, mediano), especialmente no Brasil, onde quase não se há modelos de verdadeira cultura cosmopolita é necessário um plano de estudo, nem que seja algo básico. Por isso vou pontuar algumas coisas aqui para servirem de passo a passo.


Mês 1 - Religião.

Semana 1
Gênesis
Deuteronômio
Evangelho de João
Epístola de São João
O Corão
Semana 2
Missa Negra - John Gray (o uso político do poder da religião)
Grahan Greene - O poder e a glória (a religião em contrabalanço com a pequenez humana)
Semana 2 & 3
Uma história da Cristandade v.1&2 - Kenneth Scott Latourette

P.s. 

Filmes:
O nome da Rosa
A Rainha Margot
O lobo de Wall Street (os trejeitos do personagem de Leonardo de Caprio são tirados dos pastores avivalistas americanos) - filme não recomendado para adolescentes.
Fé demais não cheira bem
O apóstolo (c/ Robert Duvall)


No mês que vem falarei da Literatura Americana e Brasileira a partir do Romantismo. Até lá.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Análise de poemas



Um pouco do que seria nossa aula de aprofundamento:

Passos da leitura:
1. leia o poema de uma sentada - de uma vez (de preferência sonoramente, tentando pegar o ritmo)
2. procure o moto do poema - seu tema, a razão desse poema ter sido feito.
3. descubra as palavras chave.
4. descubra o conflito


Seus olhos

Seus olhos – se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou –
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.
Divino, eterno! – e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Análise:
Poema lírico, de natureza romântica, a incapacidade de contemplar toda a beleza da mulher (metonímia - os olhos/a mulher, que se contrapõem à ideia da cegueira). O fogo do amor é visto também como fonte de um poder perigoso, que deveria permitir a visão, mas na verdade provoca a cegueira e até mesmo a destruição do próprio amor ou do ser amante (como é o caso). Esse fogo e brilho vem do próprio objeto do amor e não de uma divindade em separado- apontando aí para a própria mulher como divina.

palavras-chave:
olhos, chama, fogo, divino/destino, poder/alma/senti

Estilo de época: Romantismo:
idealização da mulher e do amor
divinização de mulher e do amor
a alma como sofredora dos efeitos do amor
a tristeza pela incapacidade de se ver digno do ser amado
melancolia

Relembrando os passos
Passos da leitura:
1. leia o poema de uma sentada - de uma vez (de preferência sonoramente, tentando pegar o ritmo)
2. procure o moto do poema - seu tema, a razão desse poema ter sido feito.
3. descubra as palavras chave.
4. descubra o conflito

SONETO

Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!...
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo a estação das flores!

De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores...

Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora...

Sem que última esperança me conforte,
Eu - que outrora vivia! - eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!

Análise:
Poema lírico, de natureza romântica, uma forma exagerada de buscar a atenção da amada a qual ele primeiro recrimina acusando-se de impropriedade (desculpa), mas pontuando que sua falta de limites se dá pelo fato de sonhar o futuro com ela. A indisposição dela aos desejos do poeta são sentidas como a proximidade da morte - o poeta avisa que por causa dela está perdendo seus melhores anos (minha aurora - metáfora para a juventude)

palavras-chave:
suspirando/desmaiando, dor, morrer, noturna, delirando, febre

Estilo de época: Romantismo (ultra-romantismo)
a contraposição entre amar e morrer
a alma como sofredora dos efeitos do amor
melancolia e o desejo de morte
amor como febre, delírio, desvario
a indicação que o poeta morrerá jovem ainda (prenúncio heroico)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Por que Ela, de Spike Jonze, é um filme tão significativo para a nossa geração?


kibado do http://pensarenlouquece.com/porque-ela-spike-jonze-filme-significativo-nossa-geracao/#more-5686
O ideal de todo cinéfilo deveria ser a oportunidade de assistir a um filme sabendo o menos possível a respeito de sua história. Página em branco, sem expectativas, mergulhando em uma trama e envolvendo-se com ela feito como uma criança que tateia objetos desconhecidos à sua volta, encantando-se com cada nova descoberta.
Este post não será uma resenha. Afinal, há dezenas de textos comentando a história do filmedirigido e roteirizado por Spike Jonze, com atuações de Joaquim Phoenix, Scarlett Johansson, Amy Adams, Rooney Mara e Olivia Wilde. Aqui, me limitarei a compartilhar algumas ideias, impressões e relações que fiz após ver uma obra repleta de entrelinhas para serem discutidas. E recomendo, aliás, que você só leia este post após ter visto Ela.
* * * * *
Tudo na vida é uma questão de expectativas. Eu, admito, já cometi o equívoco de construir uma imagem idealizada de uma pessoa que conheci online: foi o efeito colateral após ver algumas fotos e trocar mensagens espirituosas, sagazes, maliciosas. Nem sempre a química virtual se repete na vida offline, mas ao analisar retrospectivamente esse encontro mal-sucedido, hoje sei que talvez as coisas tivessem sido diferentes caso não tivéssemos alimentado expectativas desmedidamente juvenis de uma pessoa pela outra.
Mas enfim, citando um diálogo de Ela, o fato é que o passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos. Com o passar dos anos, lembranças tendem a ser idealizadas e nossas recordações paulatinamente tendem a ser recriadas de acordo com os desígnios nem sempre conscientes de nossa memória seletiva.
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Há muitos anos assisti a um episódio de Star Trek no qual os tripulantes da Enterprise se deparam com um ser sem corpo físico. Quando esse ser descobre como é a condição humana, ele lamenta por nós: “Tenho pena de vocês, humanos. Deve ser muito triste viver com essa limitação física.”
Creio que a frase era mais ou menos assim. Memória às vezes prega peças na gente.
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Ano passado li uma notícia que me deixou perplexo: “Por que os jovens japoneses pararam de fazer sexo?”. Um dos dados citados nesta matéria do The Guardian é uma pesquisa, realizada em 2013 pela Associação Japonesa de Planejamento Familiar, segundo a qual 45% das mulheres de 16 a 24 anos não demonstravam nenhum interesse em contato sexual, assim como cerca de 25% dos homens entrevistados.
Outra matéria sobre o Japão, publicada no site da BBC, também fala dessa geração de japoneses denominada de “herbívora”, por ser passiva e sem desejo carnal. Um dos entrevistados, que tem uma namorada virtual em um jogo da Nintendo, deu uma declaração bastante significativa: “Na escola, você pode ter relacionamentos sem pensar sobre casamento. Com namoradas de verdade você precisa sempre considerar se vai casar. Então eu penso duas vezes antes de namorar uma ‘mulher 3D’.”
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Em uma entrevista a Conan O’Brian, Louis CK fez um desabafo antológico sobre como os avanços tecnológicos estão nos tornando cada vez mais mimados. Ele relata a história de uma viagem que fez em um avião equipado com internet a bordo. A conexão, porém, caiu no meio do voo. Um comissário a bordo pediu desculpas pelo ocorrido, e um passageiro sentado a seu lado reclamou: “Pfff… Isso é conversa fiada.” Louis CK cita outras reclamações corriqueiras sobre motivos como atrasos de voos e poltronas que não reclinam, e dispara:
Atraso, sério? Nova York até a Califórnia em 5 horas? Costumavam fazer esse trajeto em 30 anos, e um monte de gente morreria nesse período ou teria filhos. Você estaria com um grupo totalmente diferente de pessoas quando chegasse lá! Agora você assiste a um filme, solta um barro e está em casa! Todo mundo, em todos os aviões, deveria ficar constantemente falando: ‘Oh meu Deus! Uau!’ Você voou pelos ares como um pássaro, você fez parte do milagre de humanos voando! Você está sentado em uma cadeira no céu! Voando! É fantástico!
Vivemos tempos fantásticos, mas as pessoas parecem nunca estar satisfeitas – vide a timeline do Twitter, aquele mural de muxoxos e mimimis sem fim. Queixam-se do trabalho, de relacionamentos, do que está passando na TV (como se estivesse sob a mira de um revólver que os obrigue a ver determinado programa), das pessoas que seguem (afinal, dar unfollow é algo muito difícil de se fazer)… Neste mundo de expectativas irreais, em que ideais de beleza são esculpidos com photoshopadas inatingíveis e a timeline do Facebook é povoada por versões artificiais de nossas próprias vidas, com fotos instagramadas postadas para angariar likes alheios, como encontrar satisfação?
Viver bem é a fina arte de gerenciar expectativas.
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Amar é se interessar pelo outro, querer saber o que ele fez, compartilhar ideias, impressões, coisas tristes e engraçadas que aconteceram durante a trajetória de um dia: é a parte verbal do amor, o entrosamento intelectual que independe da atração física. Mas amar também é compartilhar silêncios ou suspiros; é a intimidade que faz com que nos sintamos confortáveis na presença do outro prescindindo de palavras.
Amor platônico é um amor que desconhece imperfeições. Não existe mau hálito, sexo ruim, crises de ciúmes, chulé, discussões por causa de pia suja ou tampa de privada, DRs. Por existir somente no plano dos sonhos e pensamentos, costumo definir amor platônico como um amor que só é vivido do pescoço para cima.
Já Charlie Kaufman, roteirista de dois filmes dirigidos por Spike Jonze (Quero Ser John Malkovich e Adaptação), cunhou uma definição menos edificante: “O amor nada mais é do que um agrupamento bagunçado de carência, desespero, medo da morte, insegurança sobre o tamanho do pênis e a necessidade egoísta de colecionar o coração de outras pessoas.”
Definições, todavia, são tentativas de se explicar algo que vai muito além das palavras. E o fato é que amar não é para amadores. Joseph Campbell, em O Poder do Mito, cita o budismo ao afirmar que o amor é o ponto de combustão da vida. Como a vida é dolorosa, assim também é o amor. Amar é correr riscos. Ou, citando outro diálogo certeiro de Ela, uma maneira socialmente aceitável de insanidade. Seja amando um homem, uma mulher, um dos mais de 50 gêneros além de masculino e feminino que agora podemos escolher no Facebookou, quem sabe em um futuro a curto prazo, um sistema operacional.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

As Cidades medievais





"As cidades medievais eram superlotadas, barulhentas, escuras e tinham cheiro de estábulo. Só as ruas mais largas eram pavimentadas; as outras eram sujas, com esterco e lama. Na maioria are apenas vielas estreitas onde não se podia passar com duas mulas sem derrubar os quiosques dos vendeiros ou os toldos e tabuletas dos que anunciavam seus serviços.
De dia, as ruas ficavam apinhadas de gente: ferreiros, sapateiros, vendedores de tecido, açougueiros, dentistas... Bastava o comerciante abrir as venezianas de sua casa para transformá-la numa banca de mercadoria. Ficavam também cheias de animais: cães, mulas, porcos, cavalos, galinhas... À noite, eram silenciosas e muito escuras: não havia iluminação pública. Era comum toque de recolher decretado pelas municipalidades, como prevenção contra assaltos e assassinatos.
Nas cidades medievais ocorriam castrações, enforcamentos e amputações, e a população aglomerava para assistir aos espetáculos de castigo. Muitas vezes os criminosos eram arrastados pelas ruas numa carroça e torturados antes da execução pública, sob o burburinho e os gritos das multidões.
Eram freqüentes, também, os incêndios. As casa, de três ou quatro andares, eram construídas de materiais inflamáveis: paredes de madeira e galhos e tetos de palha ou junco, que ardiam em poucos minutos. Se por um lado os incêndios geravam prejuízos para os moradores, por outro era benéfico, pois amenizava as condições de sujeira que provocavam as doenças.
Apesar de existirem hábitos de higiene pessoal, como o costume de freqüentar os banhos públicos, preservados desde a época de Roma, só os ricos tinham as suas próprias latrinas e fossas. A maioria da população jogava seus excrementos em esgotos ou em pilhas de detritos a céu aberto, tornando as vielas imundas, o mau cheiro insuportável e as águas de abastecimento da cidade poluídas.
A canalização da água não era recomendada pelas oficialidades, que temiam a desvantagem de tornar as cidades vulneráveis a sabotagens de exécitos inimigos. Só em 1236, Londres começou a trazer água para a cidade em aquedutos.
Uma das soluções adotadas para reduzir a sujeira foi a pavimentação das ruas. Paris, em 1185, foi a primeira cidade a ter suas ruas calçadas com pedras.
Mais ainda do que os excrementos humanos e a água suja, a maior maldição das cidades medievais era a pulga, o parasita do rato negro. As epidemias eram freqüentes e, de 1348 a 1349, as pulgas espalharam a peste bubônica, conhecida como a peste negra, provocando milhões de mortes."

(Clark, Peter. O Ocidente renasce. In: Evolução das cidades. Rio de Janeiro, Abril Livros/ Editora de Time-Life, 1993, p.98-102 (texto adaptado)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Arcadismo

Primeiro uma pequena aula sobre Espinosa


Em texto
http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=618

Agora eu gostaria que vocês ligassem Espinosa ao Arcadismo nas seguintes características:

  1. Deus Sive Natura (Panteísmo) ou seja, Não se precisa mais encontrar Deus na igreja, Ele é/está na Natureza.
  2. A razão é a única coisa em que se pode confiar - A fé cristã passa a ser conhecida como superstição.
  3. Cada um deve ter a liberdade de ser o que quiser ser.

Imagine que isso ainda é debaixo da Época Barroca, por isso Espinosa acaba sendo excomungado.
Mesmo assim ele passa a comunicar-se com pessoas de toda a Europa através de cartas e influencia toda a geração futura (Arcadismo)


O mais importante de se saber do Arcadismo são as características e os autores.


Características da linguagem árcade

Além das características da linguagem árcade estudadas, outras merecem destaque:
fugere urbem (fuga da cidade): influenciados pelo poeta latino Horácio, os árcades defendiam o bucolismo como ideal de vida, isto é, uma vida simples e natural, junto ao campo, distante dos centros urbanos. Tal princípio era reforçado pelo pensamento do filósofo francês Jean Jacques Rousseau, segundo o qual a civilização corrompe os costumes do homem, que nasce naturalmente bom.
aurea mediocritas (vida medíocre materialmente mas rica em realizações espirituais): outro traço presente advindo da poesia horaciana é a idealização de uma vida pobre e feliz no campo, em oposição à vida luxuosa e triste na cidade
idéias iluministas: como expressão artística da burguesia, o Arcadismo veicula também certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, no caso, idéias do Iluminismo. Os iluministas foram pensadores que defenderam o uso da razão, em contraposição à fé cristã, e combateram o Absolutismo. Embora não sejam a preocupação central da maioria dos poetas árcades, idéias de liberdade, justiça e igualdade social estão presentes em alguns textos da época.
convencionalismo amoroso: na poesia árcade, as situações são artificiais; não é o próprio poeta quem fala de si e de seus reais sentimentos. No plano amoroso, por exemplo, quase sempre é um pastor que confessa o seu amor por uma pastora e a convida para aproveitar a vida junto à natureza. Porém, ao se lerem vários poemas, de poetas árcades diferentes, tem-se a impressão de que se trata sempre de um mesmo homem, de uma mesma mulher e de um mesmo tipo de amor. Não há variações emocionais. Isso ocorre devido ao convencionalismo amoroso, que impede a livre expressão dos sentimentos, levando o poeta a racionalizá-los. Ou seja, o que mais importava ao poeta árcade era seguir a convenção, fazer poemas de amor como faziam os poetas clássicos, e não expressar os sentimentos. Além disso mantém-se o distanciamento amoroso entre os amantes, que já se verificava na poesia clássica. A mulher é vista como um ser superior, inalcançável e imaterial.
carpe diem: o desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível tema já bastante explorado pelo Barroco - é retomado pelos árcades e faz parte do convite amoroso.
Como síntese do que foi estudado até aqui, podemos esquematizar as principais características da linguagem árcade deste modo:
QUANTO À FORMAQUANTO AO CONTEÚDO
Vocabulário simplesPastoralismo
Frases na ordem diretaBucolismo
Ausência quase total de figuras de linguagemFugere urbem
Manutenção do verso decassílabo, do soneto e de outras formas clássicasAurea mediocritas
Elementos da cultura greco-latina
Convencionalismo amoroso
Idealização amorosa
Racionalismo
Idéias iluministas
Carpe diem
A palavra arcádia, que dá origem a Arcadismo, é grega e designa uma sociedade literária típica da última fase do Classicismo, cujos membros adotam nomes poéticos pastoris, em homenagem à vida simples dos pastores, em comunhão com a natureza.
As manifestações da estética arcádica começam a ocorrer no Brasil na segunda metade do século XVIII, mais precisamente em 1768, quando Cláudio Manuel da Costa publica Obras. A atividade mineradora - já intensa desde 1700 - determina mudanças na organização e na dinâmica da vida brasileira. Há um aumento considerável na circulação de mercadorias e uma dinamização das regiões que abasteciam de gado as Minas Gerais (Sul e Nordeste). Com o crescimento das cidades, surgia no Brasil o trabalho não-escravo, desvinculado das atividades agrícolas e da mineração. Eram artesãos, burocratas, profissionais liberais, literatos.

O espírito iluminista

Era o esboço de uma classe mediana que, disposta a defender seus próprios interesses, adotou a ideologia liberal burguesa vinda da França: o Iluminismo. A difusão do pensamento iluminista que apregoava a liberdade de propriedade e a igualdade de poderes, criticando o estado absolutista, tinha as suas palavras de ordem: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Em 1789, esse espírito culminou na Revolução Francesa, que modificou o conceito de classe social trazendo ao topo do poder os burgueses.

Árcades ilustrados

Em Vila Rica, atual Ouro Preto, a antiga capital da Capitania das Minas Gerais, um grupo teve especial importância na divulgação do Iluminismo - o "grupo mineiro" -, composto por intelectuais que se reuniam em torno de ideais semelhantes, pelo menos quanto ao pensamento de que a Metrópole Portuguesa era tirânica em relação à Colônia, que se encontrava usurpada em relação às suas riquezas.

"Escola Mineira"

Seis poetas constituem a chamada "Escola Mineira": Frei José de Santa Rita Durão, José Basílio da Gama, Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Com os olhos voltados para a terra natal, esses poetas árcades iniciaram o período de transformação da literatura brasileira, que se vai efetivar, realmente, no século XIX, com os românticos.

Características do Arcadismo

O desejo da natureza, a realização da poesia pastoril, a reverência ao bucolismo são traços mercantes da literatura arcádica, disposta a fazer valer a simplicidade perdida no Barroco.

Fugere urbem

A base material do progresso consubstanciava-se nas cidades. Mudava o mundo, modernizavam-se as cidades e, consequentemente, redobravam os problemas dos conglomerados urbanos. A natureza acenava com a ordem nos prados e nos campos, os indivíduos resgatavam sentimentos roídos pelo progresso. Os árcades buscavam uma vida simples, bucólica, longe do burburinho citadino.

Abaixo o exagero: inutilia truncar

A frase em latim resume grande parte da estética árcade. Ela significa que "as inutilidades devem ser banidas" e vai ao encontro do desprezo pelo exagero e pelo rebuscamento, característicos do Barroco. Por isso, outros modelos eram buscados pelos árcades: paradigmas clássicos e renascentistas, que significavam a simplicidade e o equilíbrio.

Neoclassicismo

Nessa disposição de coisas é que se revela a outra tendência árcade - o Neoclassicismo. Seguindo o exemplo da Arcádia Romana (agremiação italiana fundada em 1690, imitada pela Arcádia Lusitana, fundada em 1756), os poetas árcades elegeram como ideais as condições de criação que supunham ser as dos poetas-pastores que habitavam a legendária Arcádia, região da Grécia. São, portanto, neoclássicos na busca da espontaneidade e da simplicidade.

Pseudônimos pastoris

Fingir que são pastores foi a saída encontrada pelos árcades para realizar (na imaginação) o ideal da mediocridade dourada (aurea mediocritas), ou seja, as louvações à vida equilibrada, espontânea, pobre (em contato com a natureza).

Carpe diem

Aproveitar o dia, viver o momento presente com grande intensidade, foi uma atitude inteiramente assumida por esses poetas - pastores, cuja noção de que "o tempo não pára e por isso deve ser vivido em todos os sentidos" era muito forte.

Arcadismo em Portugal (1756-1825)

Com a fundação da Arcádia Lusitana, em 1756, iniciou-se uma nova etapa literária em Portugal, caracterizada pela rebeldia contra o Barroco. Sua divisa - inutilia truncar - atestava o desejo de repúdio às coisas inúteis, característica marcante da poesia barroca.

Simplicidade da arte renascentista

A Arcádia Lusitana teve por base a Arcádia Romana, fundada na Itália em 1690, cuja tentativa foi restabelecer a simplicidade da arte renascentista e antiga. A Arcádia Lusitana estiveram ligados, entre outros, os poetas Antônio Dinis da Cruz e Silva (um de seus fundadores), Pedro Antônio Correia Garção, também doutrinador do movimento.

Nova Arcádia

Em 1790, foi fundada a Academia de Belas Artes, logo após denominada Nova Arcádia que, três anos mais tarde, publicava algumas obras poéticas de seus sócios, sob o título Almanaque das Musas. Os membros mais importantes dessa associação foram o brasileiro Domingos Caldas Barbosa, famoso nos ambientes aristocráticos por sua obra lírica, o poeta satírico Padre Agostinho de Macedo e o poeta lírico e satírico Manuel Maria Barbosa du Bocage.

Arcadismo no Brasil (1768-1836)

O rompimento com a estética cultista barroca começou no Brasil com a publicação das Obras, de Cláudio Manuel da Costa, em 1768. O movimento árcade permaneceu como tendência literária até 1836, quando se inicia o Romantismo.

Árcades mineiros

Não existiu, no Brasil, uma Arcádia, como em Portugal. Um vigoroso grupo intelectual - o "grupo mineiro" - destacou-se na arte literária e na prática política, participando ativamente da Inconfidência Mineira. Esse grupo, constituído por Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Manuel Inácio da Silva Alvarenga e outros intelectuais, foi desfeito de forma violenta, com a prisão, desterro ou morte de alguns poetas, à época da repressão política em torno do episódio da Inconfidência.

Bucolismo e poesia política

Cláudio Manuel da Costa foi o primeiro modelo e o mais forte de todos para os poetas mineiros. Influenciou significativamente Tomás Antônio Gonzaga, de quem era o "amigo mais velho". Cláudio, considerado o mais árcade dos poetas do grupo, teve uma formação rigorosamente clássica. A sua poesia bucólica focaliza, sobretudo, a paisagem montanhosa de Minas Gerais. Alvarenga Peixoto, um dos poetas "ilustrados", construiu uma obra bem marcada pelo seu aspecto político, em defesa da República, contra a guerra e em prol dos escravos. Silva Alvarenga, por sua vez, tem uma obra lírica plena de musicalidade.

Características do Arcadismo brasileiro

A tentativa de imitar o Arcadismo português, para dar à Colônia uma literatura tão sofisticada quanto aquela que se produzia na Metrópole, resultou na poesia refinada dos árcades mineiros.

Apego aos valores da terra

A simplicidade na poesia e a idéia de abolir as inutilidades (inutilia truncat) foram, também, objetivos dos árcades brasileiros. O ambiente peculiar oferecido pela localização geográfica do "grupo mineiro" fez brotar um nativismo que incorporou os valores da terra ao ideário da estética bucólica, em voga no Arcadismo. Emerge a natureza brasileira como pano de fundo para a poesia dos "pastores".

Incorporação do elemento indígena

A valorização do índio foi importante no Arcadismo brasileiro: ele reflete o ideal do "bom selvagem", tão caro aos iluministas (o pensamento de Rousseau baseado na premissa de que a natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade o corrompe e o transforma). A incorporação do índio como elemento literário dará um colorido diferente do europeu ao Arcadismo brasileiro.

Sátira política

A redação e a circulação de manuscritos anônimos (as Cartas Chilenas) de nítida sátira política aos tempos difíceis da exploração portuguesa e à corrupção dos governos coloniais, foi elemento bem distinto do Arcadismo brasileiro. A tomada de consciência política do "grupo mineiro" foi sem precedentes na história do Brasil. Impulsionados pelo exemplo da independência norte-americana e da Revolução Francesa, todos os elementos componentes do grupo participaram da Conjuração Mineira, que acabou em 1789.
- See more at: http://www.jornallivre.com.br/155430/historia-do-arcadismo.html#sthash.8ktSVGAh.dpuf


Os autores estão aqui:

Os vídeos









segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Barroco

Links

http://arte-barroca.info/

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=64

Toques:

Na minha aula eu comentei sobre a relação da dicotomia Catolicismo e Protestantismo com o Empirismo e Racionalismo: guardem essa informação, porque ela não é comum nem em livros, nem em aulas.


Vídeos 


Bem explicado o contexto nesse vídeo aqui




O Bira ajuda bastante com os slides
Percebam a questão das dicotomias




Para ouvir enquanto estiver lendo a apostila

Bach = divino, impressionante, de um lirismo que nos faz saber que podemos ser melhores.


Para aprofundar com Gregório de Matos



Padre Antônio Vieira

Esses vídeos eu não consegui transpor, então irei deixar aqui os links

https://www.youtube.com/watch?v=t_zkEx0cLYc&feature=youtube_gdata_player

https://www.youtube.com/watch?v=PJULu921M2E

https://www.youtube.com/watch?v=BhL9kzRAiLQ






[Repost]Livros recomendados




Em negrito estão as minhas recomendações e depois algumas adições

A lista da Newsweek 

1. Guerra e Paz, Liev Tolstói, 1869
2. 1984, George Orwell, 1949
3. Ulisses, James Joyce, 1922
4. Lolita, Vladímir Nabókov, 1955
5. O Som e a Fúria, William Faulkner, 1929
6. O Homem Invisível, Ralph Ellison, 1952
7. Rumo ao Farol, Virginia Woolf, 1927 (Passeio ao Farol)
8. Ilíada e Odisseia, Homero, século VIII a.
9. Orgulho e Preconceito, Jane Austen, 1813
10. A Divina Comédia, Dante Alighieri, 1321
11. Os Contos de Cantuária, Geoffrey Chaucer, século XV
12. As Viagens de Gulliver, Jonathan Swift, 1726
13. A Vida Era Assim em Middlemarch, George Eliot, 1874
14. Quando Tudo se Desmorona, Chinua Achebe, 1958
15. O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger, 1951
16. E Tudo o Vento Levou, Margaret Mitchell, 1936
17. Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez, 1967
18. O Grande Gatsby, Scott Fitzgerald, 1925
19. Catch 22, Joseph Heller, 1961
20. A Amada, Toni Morrison, 1987
21. As Vinhas da Ira, John Steinbeck, 1939
22. Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie, 1981
23. Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley, 1932
24. Mrs. Dalloway, Virgínia Woolf, 1925
25. O Filho Nativo, Richard Wright, 1940
26. Da Democracia na América, Alexis de Tocqueville, 1835
27. A Origem das Espécies, Charles Darwin, 1859
28. Histórias, Heródoto, 440 a.c.
29. O Contrato Social, Jean-Jacques Rosseau, 1762

30. O Capital, Karl Marx, 1867
31. O Príncipe, Nicolau Maquiavel, 1532
32. Confissões, Santo Agostinho, século IV
33. Leviatã, Thomas Hobbes, 1651

34. História da Guerra do Peloponeso, Tucídides, 431 a.c.
35. O Senhor dos Anéis, J.R.R. Tolkien, 1954
36. Winnie The Pooh, A. A. Milne, 1926
37. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, C. S. Lewis, 1950
38. Passagem para a Índia, E. M. Forster, 1924
39. On the Road, Jack Kerouac, 1957
40. Por Favor Não Matem a Cotovia, Harper Lee, 1960
41. A Bíblia Sagrada
42. Laranja Mecânica, Anthony Burgess, 1962

43. Luz em Agosto, William Faulkner, 1932
44. As Almas da Gente Negra, W. E. B. Du Bois, 1903
45. Vasto Mar de Sargaços, Jean Rhys, 1966
46. Madame Bovary, Gustave Flaubert, 1857
47. O Paraíso Perdido, John Milton, 1667
48. Anna Kariênina, Liev Tolstói, 1877
49. Hamlet, William Shakespeare, 1603
50. Rei Lear, William Shakespeare, 1608
51. Otelo, William Shakespeare, 1622
52. Sonetos, William Shakespeare, 1609

53. Folhas de Relva, Walt Whitman, 1855
54. As Aventuras de Huckleberry Finn, Mark Twain, 1885
55. Kim, Rudyard Kipling, 1901
56. Frankenstein, Mary Shelley, 1818
57. Song of Solomon, Toni Morrison, 1977
58. Voando Sobre um Ninho de Cucos, Ken Kesey, 1962 (Um estranho no ninho)
59. Por Quem os Sinos Dobram, Ernest Hemingway, 1940
60. Matadouro 5, Kurt Vonnegut, 1969
61. Animal Farm, George Orwell, 1945
62. O Deus das Moscas, William Golding, 1954 (O Senhor das moscas)
63. A Sangue Frio, Truman Capote, 1965
64. O Caderno Dourado, Doris Lessing, 1962
65. Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust, 1913
66. À Beira do Abismo, Raymond Chandler, 1939
67. Enquanto Agonizo, William Faulkner, 1930
68. O Sol Também se Levanta, Ernest Hemingway, 1926
69. Eu, Cláudio, Robert Graves, 1934
70. Coração, Solitário Caçador, Carson McCullers, 1940
71. Filhos e Amantes, D. H. Lawrence, 1913
72. All The King's Men, Robert Penn Warren, 1946
73. Go Tell It on The Mountain, James Baldwin, 1953
74. A Menina e o Porquinho, E. B. White, 1952
75. O Coração das Trevas, Joseph Conrad, 1902
76. Noite, Elie Wiesel, 1958
77. Corre, Coelho, John Updike, 1960
78. A Idade da Inocência, Edith Wharton, 1920
79. O Complexo de Portnoy, Philip Roth, 1969
80. Uma Tragédia Americana, Theodore Dreiser, 1925
81. O Dia dos Gafanhotos, Nathanael West, 1939
82. Trópico de Câncer, Henry Miller, 1934
83. O Falcão Maltês, Dashiell Hammett, 1930
84. Mundos Paralelos, Philip Pullman, 1995
85. Death Comes for the Archbishop, Willa Cather, 1927
86. A Interpretação dos Sonhos, Sigmund Freud, 1900
87. A Educação de Henry Adams, Henry Adams, 1918

88. O Livro Vermelho, Mao Tsé Tung, 1964
89. As Variedades da Experiência Religiosa, William James, 1902
90. Reviver o Passado em Brideshead, Evelyn Waugh, 1945
91. A Primavera Silenciosa, Rachel Carson, 1962
92. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, John M. Keynes, 1936
93. Lord Jim, Joseph Conrad, 1900
94. Goodbye to All That, Robert Graves, 1929
95. A Sociedade da Abundância, John Kenneth Galbraith, 1958
96. O Vento nos Salgueiros, Kenneth Grahame, 1908
97. A Autobiografia de Malcolm X, Alex Haley e Malcolm X, 1965
98. Eminent Victorians, Lytton Strachey, 1918
99. A Cor Púrpura, Alice Walker, 1982
100. Memórias da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill, 1948




Minhas adições
Farenheit 451 – Ray Bradbury
Paris no século XIX – Walter Benjamin
Um conto de Duas cidades – dickens
A trégua – Primo Levi